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Juíza cita misoginia e ataques nas redes ao dar perdão a Monique Medeiros

Elizabeth Machado Louro afirmou que um homem na mesma situação da mãe de Henry Borel não teria sido tratado da mesma forma

Da redação
DA REDAÇÃO

04/06/2026 • 10:53 • Atualizado em 04/06/2026 • 11:41

Na sentença na qual concedeu perdão judicial a Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de quatro anos, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que a mãe do garoto foi alvo de ataques nas redes e de misoginia. A magistrada afirmou em sua decisão que as cobranças a Monique foram muito maiores pelo fato de ela ser mulher.

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"Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho para o que de resto não contribuiu intencionalmente, viu-se alvo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra sua honra e sua autoestima como mãe, para não falar do completo desprezo pela dor do seu luto", frisou ela segundo relatado pelo jornal “Folha de São Paulo”.

A juíza disse ainda que um homem colocado na mesma situação não teria sido criticado da mesma maneira.

"Fosse o pai e não a mãe na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado, como é regra nos processos de igual natureza. É que o papel culturalmente reservado à mulher nos moldes patriarcais não só dela exige ser mãe, mas, muito além, a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta", disse.

Elizabeth disse que Monique, que foi condenada por omissão, já havia sido punida de forma suficiente pela exposição que o caso gerou.

Entenda a sentença

Após dez dias de julgamento, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. A sentença foi lida na madrugada desta quinta-feira (4).

A mãe da criança, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo. Com a mudança de entendimento, a decisão passou às mãos da juíza Elisabeth Machado Louro, que concedeu perdão judicial. Monique, no entanto, foi condenada por omissão diante das torturas sofridas pelo filho.

Jairinho era acusado de homicídio qualificado, tortura e coação. Monique respondia por homicídio qualificado por omissão, tortura e coação. Em ambos os casos, as acusações tinham como agravantes o fato de as agressões terem ocorrido em ambiente familiar e de a vítima ser menor de 14 anos.

Os jurados absolveram o ex-político de outras duas acusações de tortura que também eram analisadas durante o julgamento, mas o condenaram por coação. Já Monique foi absolvida da acusação de coação, restando contra ela o reconhecimento da responsabilidade por omissão em relação à violência praticada contra Henry.

Durante todo o processo, a acusação sustentou que Jairinho submeteu Henry a sucessivas agressões que culminaram na morte da criança e que Monique tinha conhecimento das violências praticadas contra o filho.

As defesas negaram as acusações. Os advogados de Jairinho afirmaram sua inocência e questionaram a investigação. A defesa de Monique, por sua vez, argumentou que ela não tinha conhecimento das agressões e levantou a hipótese de ter sido “dopada” no dia da morte da criança.

Os interrogatórios dos dois réus ocorreram na última terça-feira (2). Monique foi ouvida primeiro. Jairinho falou em seguida, depois de obter na Justiça o direito de ser o último a depor e respondeu apenas as perguntas feitas pela sua defesa.