
Trump discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos
REUTERS/Jonathan Ernst
A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou uma resolução simbólica para encerrar a guerra iniciada pelo presidente Donald Trump contra o Irã, que ocorreu sem o aval do Congresso. A votação terminou em 215 a 208, contando com o apoio de quatro deputados republicanos que se alinharam à oposição democrata: Brian Fitzpatrick, Thomas Massie, Tom Barrett e Warren Davidson.
O projeto segue agora para o Senado. Mesmo se for aprovado por ambas as Casas, o texto é considerado um gesto político, pois Trump tem o poder de vetá-lo.
Disputa Constitucional e a Lei dos Poderes de Guerra
A iniciativa se baseia na Lei dos Poderes de Guerra de 1973, que determina que o governo precisa de autorização legislativa para manter confrontos militares prolongados (com prazo de 60 dias para consulta). Enquanto os parlamentares defendem a prerrogativa constitucional do Congresso de declarar guerra, a Casa Branca alega que o presidente agiu dentro de suas funções de comandante-chefe.
Como o governo declarou que o conflito atual com o Irã entrou em cessar-fogo, Washington argumenta que as hostilidades formais já foram encerradas. Paralelamente, o Congresso articula outras frentes:
- Ucrânia: Avanço de um projeto para apoiar operações militares e a reconstrução do país contra a Rússia.
- Líbano: Discussão de uma resolução para impedir intervenções militares americanas na região.
Impasse diplomático com o Irã
A aprovação da medida reflete o descontentamento do Legislativo com as operações militares de Trump em fevereiro. Apesar da derrota na Câmara, Trump demonstrou otimismo sobre um acordo iminente com o Irã, sugerindo que um desfecho poderia ocorrer em breve.
No entanto, o otimismo do presidente contraria as declarações de Abbas Araqchi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, que afirmou não haver avanços reais. Teerã exige que Israel interrompa os ataques ao Hezbollah no Líbano como condição para dialogar, mas Trump prefere tratar a situação libanesa de forma isolada.
Negociações e instabilidade entre Israel e Líbano
Em Washington, representantes de Israel e do Líbano concordaram com as bases para um cessar-fogo, prevendo a criação de zonas controladas pelo exército libanês e novos debates para um acordo de paz definitivo.
Contudo, a trégua depende de uma condição difícil: o Hezbollah precisa interromper seus ataques e recuar do sul do Líbano. Embora um cessar-fogo técnico exista desde o dia 17 de abril, os combates entre Israel e o grupo paramilitar persistem, já que a milícia não aceita o acordo nem reconhece as reuniões bilaterais.
Enquanto isso, a trégua declarada no conflito direto entre EUA e Irã segue instável, marcada por ataques isolados. Recentemente, a Guarda Revolucionária Iraniana rejeitou a autoria de um bombardeio que resultou em mortes no Aeroporto Internacional do Kuwait.
*Com informações da DW Brasil.
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