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Morre cineasta Luiz Carlos Barreto, o "Barretão", aos 98 anos no RJ

Considerado um dos nomes mais importantes da história do audiovisual brasileiro, produtor e fotógrafo estava internado no Hospital Copa Star tratando uma infecção pulmonar

Da redação
DA REDAÇÃO

22/07/2026 • 11:42 • Atualizado em 22/07/2026 • 11:42

Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22)

Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22)

Divulgação

O cinema brasileiro perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. Morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, o cineasta, produtor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para o tratamento de uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.

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De acordo com sua filha, a produtora Paula Barreto, a saúde do pai vinha apresentando complicações desde 2024, após sofrer uma queda durante uma viagem ao Ceará. O velório será realizado nesta quinta-feira (23), a partir das 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Na sequência, o corpo do produtor será levado ao Memorial do Caju, onde acontecerá a cerimônia de cremação.

Do fotojornalismo ao olhar transformador do Cinema Novo

Nascido no Ceará, Barretão adotou o Rio de Janeiro como casa, tornando-se um carioca de coração e um apaixonado torcedor do Flamengo. Antes de dedicar mais de seis décadas de vida à sétima arte, iniciou sua trajetória profissional como repórter-fotográfico na revista O Cruzeiro. Na publicação, chegou ao posto de correspondente na Europa, onde registrou personalidades históricas como o cantor Frank Sinatra, o líder cubano Fidel Castro e a estrela de Hollywood Marilyn Monroe.

A transição para as telonas aconteceu durante uma cobertura jornalística na Bahia, nas filmagens de Barravento, quando conheceu o cineasta Glauber Rocha. Impressionado com o trabalho do fotógrafo, Glauber o convidou para assinar a direção de fotografia de um projeto audacioso ao lado de Nelson Pereira dos Santos.

A ideia era romper com o estigma visual do sertão nas telas. Barretão aceitou o desafio de fotografar Vidas Secas, clássico lançado em 1963, usando a luz natural estourada do Nordeste como um personagem quase destrutivo. Essa estética crua ajudou a inaugurar a linguagem do Cinema Novo e se repetiu em Terra em Transe (1967), obra-prima do movimento.

Mestre da produção e recordista de bilheteria

Apesar do talento ímpar atrás das câmeras, foi no papel de produtor que Barretão encontrou sua maior vocação. Habilidoso na captação de recursos e na unão de talentos, viabilizou projetos que marcaram gerações e ajudaram a construir a indústria cinematográfica nacional, sempre defendendo que "o cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil".

Em seu currículo de sucessos estão produções icônicas como Garrincha, Alegria do Povo (1962), Bye Bye Brasil (1979) e Memórias do Cárcere (1984). Ao lado da esposa e parceira de vida, Lucy Barreto, produziu Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), dirigido por seu filho Bruno Barreto e estrelado por Sônia Braga. A comédia se tornou um fenômeno absoluto de público, mantendo-se por mais de 30 anos como a maior bilheteria do cinema brasileiro.

Barretão também esteve por trás de sucessos como Menino do Rio (1982), que arrastou multidões aos cinemas ao inaugurar uma nova linguagem para o público jovem, além de indicar o Brasil ao Oscar com produções marcantes como O Quatrilho (1995) e O Que É Isso, Companheiro? (1997).

Obras no BandPlay

Para os fãs do audiovisual brasileiro que desejam homenagear o legado do cineasta, alguns de seus trabalhos mais aclamados estão disponíveis no streaming. No Bandplay, é possível assistir a clássicos produzidos por Luiz Carlos Barreto que marcaram a história do cinema nacional e conquistaram o público, como as produções indicadas ao Oscar O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, além do dramático Inocência.