Ícone da música brasileira, a cantora Nana Caymmi morreu aos 84 anos, na tarde desta quinta-feira (1º), no Rio de Janeiro. A notícia foi confirmada pela família em post nas redes sociais. A causa da morte não foi divulgada.
A artista estava internada desde julho de 2024 para tratar um quadro de arritmia cardíaca.
Além de três filhos, Nana deixa duas netas e bisnetos.
Carreira

Nana Caymmi durante apresentação no Terceiro Festival de Música Popular Brasileira, em 1967 (Estadão Conteúdo)
Dinahir Tostes Caymmi, conhecida como Nana, foi uma das maiores vozes da música brasileira. A filha do icônico cantor e compositor baiano Dorival Caymmi nasceu em 1941 no Rio de Janeiro.
Incentivada pelos pais, Nana começou a estudar piano clássico ainda criança. Em 1960, entrou no estúdio com Caymmi para fazer sua primeira gravação, “Acalanto”, a canção de ninar feita para ela pelo pai. No mesmo ano, gravou um compacto simples com as músicas “Adeus” e “Nossos Beijos”.
Dona de sucessos como "Resposta ao Tempo", "Suave Veneno" e "Sem Poupar Coração", a carioca Nana Caymmi estava destinada ao mundo da música desde que nasceu. Os irmãos, Dori e Danilo Caymmi, e a sobrinha, Alice Caymmi, também seguiram os passos de Dorival.
Em 1961, Nana se casou com o médico Gilberto José Paoli e se mudou para a Venezuela, de onde era o marido, com quem ficou por quatro anos. A artista teve três filhos: Stella, Denise e João Gilberto, que sofreu um acidente de moto em 1989 e vive com sequelas. Ela ainda foi casada com os cantores Gilberto Gil e Claudio Nucci.
Conhecida pela extrema sinceridade e pelas falas sem pudor, a artista exalta uma de suas músicas no documentário "Nana Caymmi em Rio Sonata", de 2010, dirigido por Georges Gachot. O filme conta a história da "cantora das cantoras" a partir de momentos da vida de Nana e de entrevistas com outros artistas.
Durante a carreira de mais de 60 anos, ela gravou cerca de 40 discos e foi indicada quatro vezes ao Grammy Latino, vencendo a categoria de Melhor Álbum de Samba/Pagode, com um disco gravado com os irmãos, cantando músicas do pai: "Para Caymmi. De Nana, Dori e Danilo".
Em 2020, Nana lançou um álbum interpretando músicas de Tom Jobim e de Vinicius de Moraes, que rendeu a ela uma das indicações ao Grammy.
O último trabalho da artista foi a gravação de "A Lua e Eu" com o cantor Renato Braz, lançada em maio de 2024. A parceria foi gravada na casa de Nana, em uma tomada, com Cristovão Bastos no piano. Pelas redes sociais, ela agradeceu Renato por ter "enchido o saco" dela para que gravasse e afirmou que ele deu coragem para ela.
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