Band Entretê

Paulo Ricardo diz que canções dos anos 80 seguem ‘atuais de forma bizarra’

Cantor reflete sobre força do rock nacional enquanto prepara turnê ‘Reinventar’, que reúne sucessos do RPM e homenagens a Cazuza, Renato Russo e Rogério Flausino

Luiza Lemos
LUIZA LEMOS

20/06/2026 • 09:00 • Atualizado em 20/06/2026 • 09:00

Depois da ‘virada do século e da alvorada voraz’, o cantor Paulo Ricardo avalia que as canções que embalaram a volta da democracia no Brasil durante os anos 80 seguem mais atuais do que nunca, mais de 40 anos depois.

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Em entrevista ao Band Entretê, o cantor e ex-RPM, que prepara a turnê “Reinventar”, reflete com tristeza sobre como as canções daquela época podem falar dos tempos atuais. “De forma triste, muitas daquelas canções que tinham comentários políticos permanecem absurdamente atuais de uma forma bizarra, como se tivessem sido compostas essa semana, de tão atual”, comenta.

O cantor, inclusive, conta que foi criticado na época do escândalo das joias do governo Jair Bolsonaro (PL) por uma música composta 35 anos antes. “Diziam que eu não tinha que mencionar o escândalo das joias em ‘Alvorada Voraz’ e tal, mas a música é de 1986, ela tem 40 anos. Já haviam escândalos das joias em 1986”, conta.

O escândalo das joias dos anos 80, citado na canção por Paulo Ricardo, foi o caso do contrabando de pedras preciosas para os Estados Unidos no fim da Ditadura Militar. O fato envolveu o ex-ministro da Justiça do governo de João Figueiredo, Ibraim Abi-Ackel. Para Paulo Ricardo, a coincidência mostra que o Brasil ainda não evoluiu. “Já haviam escândalos das joias em 1986. Agora não é culpa da canção que esses escândalos continuem se repetindo, as pessoas continuam se envolvendo e os escândalos acontecendo”, afirma.

Para ele, uma canção como “Alvorada Voraz” se mantém viva seja “por mérito da canção, seja pelo contexto”. “‘O Tempo Não Para, do Cazuza, é absurdo e quando eu canto essa letra, é porque é cada vez mais verdadeiro, mais do cotidiano. [...] Então quando você vai e numa letra faz uma crítica, acho que a arte tem que pairar nisso, no dia a dia, cotidiano e ter capacidade de comentar aquilo de forma artística”, diz Paulo Ricardo.

É como diria Cazuza: ‘Meu partido é um coração partido’. Independente de esquerda ou direita, a gente quer uma postura honesta - Paulo Ricardo

Paulo Ricardo se reinventou e renovou o público

Com 63 anos, Paulo Ricardo não pretende parar, mas sim, se reinventar. E é por isso que o artista deu início a turnê “Reinventar”, que começa em julho. A ideia do artista é recomeçar tudo, mas sem esquecer do caminho que trilhou nos mais de 40 anos de carreira. Segundo ele, a motivação para a turnê é a vontade de sempre estar mudando. “Eu me canso das coisas depois de um certo tempo. Depois de sei lá, um ano e meio da turnê, eu já quero mudar tudo. Eu cansei daquele figurino, daquele cenário”, conta.

Mas apesar dele dizer que “se cansa fácil”, ele mantém ainda o carinho pelos sucessos próprios e com o RPM. “É claro que existem algumas coisas que a gente não muda nunca, né, os grandes sucessos, tudo mais. A gente pode ficar entediado, mas os grandes sucessos não, é um contexto diferente”, diz.

Sobre o “Reinventar”, Paulo Ricardo diz estar animado em entregar um novo show para o público que o acompanha desde os anos 80. “Essa nova turnê, do Reinventar, é como se fosse o recomeço de tudo, como se eu tivesse começando agora, porque tudo o que a gente fez tá lá, foi comentado, celebrado. Então para mim, eu 'tô' animado como se fosse o primeiro capítulo de um novo volume”, afirma.

E além de se reinventar, Paulo Ricardo também tenta abraçar todos os públicos que conquistou. “Agora, depois que o RPM acabou, há o novo público mais jovem, o mais maduro, os do fim dos anos 90. E ultimamente eu sinto essa renovação, depois do fim da pandemia. Teve uma sensação de euforia, celebração, necessidade de se comemorar”, pontua.

O rock brasileiro também fez 40 anos, então foram vários festivais, turnês, a gente voltou a ter encontros, bandas junto e isso foi dando uma conversada e o rock juntando, o caldo engrossando. - Paulo Ricardo

Para o cantor, a renovação do público também ocorreu pela influência dos jovens dos anos 80 que hoje são pais. “A música, como quase tudo, educação e cultura, vem de berço e vendo que os pais ouviam. A maioria dos jovens que estão vindo, vem junto com os pais por causa do que ouviam em casa, do que cresceram ouvindo”, avalia.

E claro, o “Big Brother Brasil” ainda tem uma parcela de ‘culpa’ no sucesso de Paulo Ricardo mais de 40 anos depois. “É minha maior referência. Nos últimos 25 anos, de janeiro a abril, estou nos lares de todo o Brasil. Então as pessoas têm essa referência”, brinca.

Turnê ‘Reinventar’

A turnê “Reinventar” estreia no dia 24 de julho, no Multiplan Hall, em São Caetano do Sul e no dia 25 de julho no Teatro Bradesco, em São Paulo. Os ingressos são vendidos de R$ 50 a R$ 250.

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