
Oasis: banda tem forte ligação com futebol e já revelou torcida por time no Brasil
REUTERS/Mario Anzuoni/File Photo
Um dos momentos mais curiosos — e já tradicionais — da turnê de reencontro do Oasis é o chamado “Poznan”, uma espécie de coreografia coletiva em que o público vira de costas para o palco e começa a saltar em uníssono. Mas de onde vem esse ritual que tomou conta dos shows?
A origem está na cidade de Poznan, na Polônia. Ali, torcedores do Lech Poznan popularizaram o movimento, que logo se espalhou por estádios europeus. A prática acabou adotada também pela torcida do Manchester City, time que conta com a devoção dos irmãos Gallagher, o que ajudou a aproximá-la do universo da banda.
O gesto é simples, porém impactante: fãs se unem ombro a ombro, dão as costas ao palco e pulam ao mesmo ritmo, criando uma ondulação humana impressionante.
Nos recentes shows de Wembley, em Londres, o “Poznan” ganhou ainda mais destaque ao conquistar nomes como Dua Lipa e Jarvis Cocker.
Por que o Oasis acabou em 2009 e voltou aos palcos em 2025?
Oasis, a maior banda britânica dos anos 1990, está de volta aos palcos em 2025. O anúncio da turnê de reunião encerra um hiato de 16 anos marcado por uma das brigas de irmãos mais famosas e públicas da história da música.
O grupo implodiu de forma explosiva em agosto de 2009, nos bastidores de um festival em Paris, após uma violenta briga entre o vocalista Liam Gallagher e o guitarrista e compositor Noel Gallagher.
Durante mais de uma década e meia, uma reconciliação parecia impossível, com os irmãos trocando insultos públicos constantes e seguindo carreiras solo bem-sucedidas. Agora, o que parecia impossível aconteceu. Para entender o tamanho do evento de 2025, é preciso voltar à noite em que tudo acabou.
O fim explosivo em Paris
O fim do Oasis não foi um longo processo de desgaste; foi uma explosão. No dia 28 de agosto de 2009, a banda estava escalada como atração principal do festival Rock en Seine, em Paris. Minutos antes de subirem ao palco, uma briga caótica irrompeu no camarim.
Os relatos daquela noite se tornaram lendários. A discussão entre Liam e Noel teria escalado rapidamente de verbal para física. O estopim teria sido Liam Gallagher quebrando uma das guitarras favoritas de Noel, atirando-a no chão.
A banda não subiu ao palco. O público do festival foi informado, para sua surpresa, que o Oasis não tocaria. Poucas horas depois, Noel Gallagher pegou um trem de volta para Londres, deixando a turnê e a banda para trás.
Naquela mesma noite, Noel publicou uma declaração histórica no site oficial da banda, selando o destino do grupo:
"Com alguma tristeza e grande alívio... eu encerro minha saída do Oasis esta noite", escreveu ele. "As pessoas escreverão e dirão o que quiserem, mas eu simplesmente não poderia continuar trabalhando com Liam um dia a mais."
A banda que definiu uma geração, autora de hinos como "Wonderwall" e "Don't Look Back in Anger", estava oficialmente acabada.
16 anos de guerra pública
O que se seguiu ao fim em Paris não foi um silêncio digno, mas sim uma das guerras públicas mais longas e ácidas da cultura pop. Os irmãos não se falaram por anos.
Liam Gallagher rapidamente fundou a banda Beady Eye, formada por todos os outros membros do Oasis, enquanto Noel lançou sua bem-sucedida carreira solo com o projeto Noel Gallagher's High Flying Birds.
As redes sociais, especialmente o Twitter, tornaram-se o campo de batalha. Liam usava a plataforma quase diariamente para provocar o irmão mais velho, referindo-se a ele com desprezo, notavelmente com o apelido de "potato" (batata).
Os fãs viram qualquer esperança de reunião morrer em momentos-chave. Em 2017, após o atentado terrorista em Manchester, cidade natal da banda, Liam se apresentou no show beneficente "One Love Manchester" e criticou duramente Noel por não comparecer para cantar "Don't Look Back in Anger" (embora Noel tenha feito uma doação privada dos royalties da música).
Durante anos, Noel foi o principal obstáculo para a reunião. Ele repetidamente afirmou que "não precisava do dinheiro" e que seu legado solo era suficiente, enquanto Liam, mais saudosista (ou pragmático), sempre se mostrou aberto ao retorno, "pelo bem dos fãs".
Por que voltar em 2025?
A grande pergunta que o mundo da música se faz é: por que agora? Após 16 anos de insultos, recusas e portas fechadas, o que mudou? A resposta parece ser uma mistura de timing, legado e, claro, cifras astronômicas.
O ano de 2025 marca o 30º aniversário de (What's the Story) Morning Glory?. O segundo álbum da banda, lançado em 1995, é o trabalho que os catapultou ao estrelato global e definiu o som do Britpop. A oportunidade de celebrar este marco com shows históricos era boa demais para ser desperdiçada.
Especula-se que a turnê de 2025, que deve incluir datas em estádios icônicos como Wembley, em Londres, e o Etihad, em Manchester, será uma das mais lucrativas da história da música.
A pressão dos promotores e o desejo de uma geração inteira (e de uma nova geração que descobriu a banda via streaming) de ver os irmãos juntos no palco finalmente superaram a animosidade.
Embora os detalhes exatos da trégua familiar permaneçam privados, fontes próximas indicam que a mãe dos irmãos, Peggy Gallagher, teve um papel fundamental em mediar a paz.
Para os fãs, os motivos importam menos que o resultado: pela primeira vez em 16 anos, as guitarras estão sendo afinadas e os hinos do Oasis serão ouvidos ao vivo, cantados pelas duas vozes que os criaram.
*com informações da Agência Estado.
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