
Automobilismo brasileiro é cenário de inclusão para pilotos com deficiências
Divulgação
A Lei número 11.133/2005 instituiu o 21 de setembro como o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. A data tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a importância do desenvolvimento de meios de inclusão de pessoas com deficiência – na cultura, na educação e, é claro, no esporte.
O Brasil tem motivos para se orgulhar de sua história no paradesporto. Em Jogos Paraolímpicos, são 467 medalhas desde 1972, sendo 135 de ouro. Em modalidades como natação, atletismo, judô e futebol de cinco, o país é certeza de pódio em competições.
O automobilismo não marca presença em competições poliesportivas do tipo, mas o Brasil também protagonismo nas pistas. Portador de síndrome de Tourette desde a infância, André Bragantini tem uma carreira marcada por diversas conquistas, sendo vice-campeão da Stock Light em 2007. A trajetória dele virou livro, Ultrapassando limites.
“Hoje, ao olhar para trás, percebo que cada limite que ultrapassei me tornou mais forte e mais preparado para o próximo passo”, escreveu Bragantini nas redes sociais em 17 de setembro. “A mensagem é simples: não aceite que te digam até onde você pode chegar. Só você sabe até onde pode ir.”
Em 2025, a Turismo Nacional ganhou também a presença de Douglas Mattos, primeiro piloto do mundo com paralisia cerebral a pilotar um carro de corrida sem adaptação. Douglas começou a andar apenas aos 14 anos e iniciou a trajetória no automobilismo aos 35, em 2019.

Douglas Mattos tem paralisia cerebral e compete na Turismo Nacional (Imagem: Rafael Andrade)
“Trabalhamos bastante para o desenvolvimento dele como piloto. Isso incluiu a participação do médico Victor Ramos, da Abramet (Associação Brasileira da Medicina do Tráfego), que orientou o preparador físico dele para os treinos necessários. E deu muito resultado. Ele melhorou bastante sua postura, está respirando melhor, e adquiriu maior controle muscular”, afirmou Roberto Manzini, responsável pelo centro de pilotagem que leva seu nome. Coube ao dirigente oferecer o curso de pilotagem a Mattos na preparação para a temporada 2025.
Eles são casos raros, mas não isolados. Matheus Santos nasceu com mielomeningocele e precisa se locomover em uma cadeira de rodas, o que não o impediu de chegar à AMG Cup Brasil. Já Dimy Kalinowski é o primeiro piloto dentro do espectro autista a se federar para competições de kart no Brasil, sendo vice-campeão Light de Kart F4 em 2023 e conquistando vários pódios no Campeonato Brasileiro em 2024.

Matheus Santos, da AMG Cup Brasil, nasceu com mielomeningocele (Imagem: @omatheuss15/Instagram)
E é por nomes como eles que a lei se mostra um instrumento necessário. “É muito importante termos os respaldos das leis que contribuem para a conscientização e para inclusão das pessoas com deficiência na sociedade”, destaca o empresário Felipe Martins, fundador da Projetax, agência que gerencia as carreiras dos quatro pilotos em questão, o que inclui preparação física e psicológica especializada para cada um.
“Ficamos muito felizes em ser parte disso, e de fato, estarmos contribuindo para essa inclusão por meio do nosso trabalho com os pilotos. O que mais queremos é fazer a diferença e transformar a vida das pessoas, levando inspiração com as histórias de vida e de superação de nossos atletas.”


