A história do futebol também é contada fora das quatro linhas, através do olhar atento de quem está atrás das lentes. Dos registros históricos do esporte mundial às comemorações mais recentes nos gramados brasileiros, os fotógrafos têm a missão de eternizar instantes que marcam para sempre a memória dos torcedores. A reportagem do Band Esporte Clube mostrou como esses profissionais, muitas vezes invisíveis ao público, se tornaram indispensáveis para clubes, jogadores e para a própria narrativa do futebol.
Antes, no início da fotografia esportiva, um único clique definia o registro de uma partida. Hoje, a tecnologia permite capturar frações de segundo, transformando fotos em sequências quase cinematográficas. Esse avanço não apenas ampliou as possibilidades criativas, como também mudou a relação dos fotógrafos com atletas e equipes. O trabalho deixou de ser restrito à cobertura institucional para se transformar em um serviço personalizado, com jogadores contratando profissionais para garantir registros exclusivos dentro de campo — tendência que começou no fim da década passada.
Da várzea aos grandes estádios
O fotógrafo Léo lembra que a imagem de um gol olímpico de Neymar, após provocações da torcida, foi um marco em sua carreira. Já Monteiro destaca que o reconhecimento veio com um clique de Luciano chutando a bandeirinha, foto que passou a circular amplamente e o tornou conhecido entre torcedores. Ambos reforçam que o trabalho não acaba no instante do disparo: a seleção, o corte e a edição fazem parte do processo para entregar um resultado rápido e de qualidade, usando equipamentos que chegam a custar R$ 80 mil.
Outro caminho comum é a base e o futebol de várzea, onde muitos fotógrafos começam. Raul, hoje funcionário do Santos, iniciou cobrindo jogos amadores e categorias de formação, até ser chamado para registrar o time profissional. Ele ressalta que, dentro de um clube, a prioridade passa a ser contar a história da instituição, com acesso privilegiado a bastidores, viagens e vestiários — o que também cria vínculos próximos com os atletas.
Com rotinas intensas, mochilas carregadas de câmeras, lentes e monopés, esses profissionais seguem cumprindo a missão de transformar segundos em eternidade. Mesmo na era dos vídeos e das redes sociais, a fotografia mantém sua força e significado. Como define um dos entrevistados, a foto é mais do que um registro: é a possibilidade de, anos depois, um atleta mostrar para os filhos aquele momento único e dizer “eu estive lá”.

