Esporte na Band

Brasil amplia delegação e chega aos Jogos de Inverno mirando pódio inédito

Equipe recorde reúne atletas com resultados em Copas do Mundo e rankings internacionais

Da redação
DA REDAÇÃO

04/02/2026 • 19:00 • Atualizado em 04/02/2026 • 19:00

Da esq. para dir., Nicole Silveira (skeleton), Lucas Pinheiro Braathen (esqui alpino) e Patrick Burgener (snowboard)

Da esq. para dir., Nicole Silveira (skeleton), Lucas Pinheiro Braathen (esqui alpino) e Patrick Burgener (snowboard)

Getty Images/COB/Divulgação

Pela primeira vez desde que passou a disputar regularmente os Jogos Olímpicos de Inverno, o Brasil chega a uma edição da competição com uma delegação numerosa, atletas consolidados no circuito internacional e chances reais de alcançar resultados históricos. Em Milão-Cortina 2026, entre 6 e 22 de fevereiro, o país será representado por 15 integrantes (14 atletas e um reserva), distribuídos em cinco modalidades, o maior contingente já enviado pelo Brasil a uma Olimpíada de Inverno.

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O aumento da delegação é reflexo de um ciclo mais longo de investimentos, sobretudo em atletas que treinam e competem no exterior, e de uma mudança de perfil: se antes o Brasil era presença pontual no gelo, agora chega com competidores que acumulam pódios, finais e posições de destaque em Copas do Mundo e Campeonatos Mundiais.

Até hoje, o país nunca subiu ao pódio em Jogos de Inverno, e o melhor resultado segue sendo um nono lugar. Em Milão-Cortina, essa marca passa a ser tratada como ponto de partida, não de chegada.

Lucas Braathen lidera geração mais competitiva já enviada pelo país

Lucas Pinheiro Braathen do esqui alpino | Crédito: Visa/Divulgação/COI

Lucas Pinheiro Braathen do esqui alpino | Crédito: Visa/Divulgação/COI

O nome que simboliza essa virada é o do esquiador Lucas Pinheiro Braathen, principal aposta brasileira em Milão-Cortina e atleta de melhor ranking já a defender o país em uma Olimpíada de Inverno. Nascido em Oslo, na Noruega, filho de mãe brasileira, Braathen construiu carreira no esqui alpino europeu antes de optar por representar o Brasil.

Especialista em slalom e slalom gigante, ele já venceu e subiu ao pódio em etapas da Copa do Mundo, circuito que reúne a elite do esporte. Em competições recentes, figurou de forma consistente entre os melhores do mundo, algo inédito para um atleta brasileiro na modalidade.

Sua estreia olímpica pelo Brasil ocorre em 14 de fevereiro, em Bormio, nas provas técnicas que concentram alguns dos maiores nomes dos Jogos.

Nicole Silveira chega ao auge técnico e amplia esperança brasileira

Nicole Silveira é um dos principais nomes da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno | Crédito: IBSF/COI/Divulgação

Nicole Silveira é um dos principais nomes da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno | Crédito: IBSF/COI/Divulgação

Se Braathen representa a novidade no topo, Nicole Silveira simboliza a consolidação. A atleta do skeleton chega a Milão-Cortina como a brasileira mais bem colocada da história em rankings mundiais de esportes de inverno. Natural do Rio Grande do Sul, ela iniciou a carreira no atletismo, migrou para o bobsled e encontrou no skeleton o espaço para evolução rápida e resultados inéditos.

Radicada no Canadá, Nicole já conquistou pódios em etapas da Copa do Mundo, além de resultados expressivos em Campeonatos Mundiais. Em Milão-Cortina, ela compete nos dias 13 e 14 de fevereiro, em uma prova decidida por quatro descidas cronometradas. O formato exige precisão e regularidade, características que marcaram sua última temporada e alimentam a expectativa por um resultado histórico.

Os atletas brasileiros em Milão-Cortina nasceram em cinco países diferentes, reflexo da necessidade de formação internacional em esportes de inverno. Ainda assim, a maioria tem vínculo direto com programas do Comitê Olímpico do Brasil, que trata esta edição como estratégica para consolidar resultados, ampliar visibilidade e preparar novos ciclos olímpicos.

Snowboard amplia presença brasileira em modalidades de alto impacto

Pat Burgener do snowboard | Crédito: William Lucas/CBDN/COI

Pat Burgener do snowboard | Crédito: William Lucas/CBDN/COI

O snowboard halfpipe será outra vitrine brasileira nos Jogos. Patrick Burgener, nascido na Suíça, chega como o atleta mais experiente da modalidade no país, com participações em Mundiais, finais internacionais e histórico olímpico. Seu estilo técnico e agressivo o coloca como candidato a avançar às fases finais, em uma prova marcada pela imprevisibilidade.

Burgener estreia nas classificatórias do dia 11 de fevereiro, em Livigno, com finais previstas para 13 de fevereiro. Ao seu lado estará Augustinho Teixeira, que faz sua estreia olímpica e integra um projeto de médio prazo do COB para fortalecer o snowboard brasileiro em provas técnicas e de grande apelo visual.

Esqui alpino ganha profundidade e presença feminina

Além de Braathen, o Brasil terá Christian Oliveira Soevik e Giovanni Ongaro no esqui alpino masculino. Ambos foram formados no circuito europeu e competem regularmente em provas internacionais, o que dá ao país profundidade inédita na modalidade.

No feminino, a representante será Alice Padilha, carioca que iniciou a prática do esqui ainda criança fora do Brasil e se desenvolveu em centros de treinamento nos Estados Unidos e na Europa. Sua estreia olímpica também ocorre a partir de 14 de fevereiro, em Cortina d’Ampezzo, ampliando a presença brasileira feminina em provas técnicas.

Cross-country abre participação brasileira nos jogos

O esqui cross-country será a primeira modalidade com brasileiros em ação nos Jogos. Manex Silva, Eduarda Ribera e Bruna Moura estreiam já em 10 de fevereiro, nas provas de sprint clássico, que abrem oficialmente a participação brasileira em Milão-Cortina.

Embora o país ainda esteja distante das disputas por medalha nessa modalidade, a presença constante em Jogos e eventos internacionais faz parte de um projeto de acúmulo de experiência e visibilidade, em um esporte dominado historicamente por atletas de países nórdicos.

Bobsled aposta em experiência para fechar os Jogos

O encerramento da participação brasileira ficará a cargo do bobsled, modalidade em que o país mantém presença regular desde os anos 2000. O principal nome é Edson Bindilatti, que disputará sua sexta Olimpíada de Inverno, recorde absoluto entre atletas brasileiros.

Bindilatti lidera a equipe formada por Davidson de Souza, Rafael Souza, Luís Bacca e Gustavo Ferreira, que competirá nas provas de 2-man (16 e 17 de fevereiro) e 4-man (21 e 22 de fevereiro). O grupo chega mais integrado ao circuito internacional e representa a face mais longeva do projeto brasileiro no gelo.

Brilho na abertura: Mariah Carey, Bocelli, Pausini e Rebeca Andrade no San Siro

A edição italiana dos Jogos também aposta em espetáculo fora das pistas. A cerimônia de abertura, marcada para 6 de fevereiro, será realizada no estádio San Siro, em Milão, e terá apresentações de Mariah Carey, Andrea Bocelli e Laura Pausini, além de artistas italianos e convidados internacionais.

O Brasil terá presença simbólica de destaque. Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica da história do país, foi convidada pelo Comitê Olímpico Internacional para carregar a bandeira olímpica no desfile das nações, gesto que amplia a visibilidade brasileira em uma edição que marca a participação mais ambiciosa do país nos Jogos de Inverno.

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