Esporte na Band

Nicole Silveira: da enfermagem à elite do skeleton mundial

A trajetória da brasileira que trocou os plantões hospitalares pela adrenalina de deslizar a 130 km/h no gelo

Da redação
DA REDAÇÃO

03/02/2026 • 15:11 • Atualizado em 03/02/2026 • 15:11

Nicole Silveira durante a bateria feminina de skeleton no Campeonato Mundial IBSF, na Suíça

Nicole Silveira durante a bateria feminina de skeleton no Campeonato Mundial IBSF, na Suíça

Denis Balibouse/Reuters

Para compreender quem é Nicole Silveira, é preciso olhar além das estatísticas e enxergar uma evolução técnica sem precedentes. Atualmente o maior nome do Brasil nos esportes de inverno, a gaúcha radicada no Canadá deixou de ser uma estreante para se tornar uma ameaça real às potências tradicionais como Alemanha e Reino Unido. Com consistência na Copa do Mundo, Nicole consolidou-se na elite, transformando centésimos de segundo em chances concretas de top 10 nos próximos Jogos Olímpicos.

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De Rio Grande para as pistas canadenses

Natural de Rio Grande (RS), Nicole mudou-se para o Canadá aos 7 anos. Essa transição foi o passaporte para um universo gélido, mas sua base de alto rendimento veio de lugares inesperados: o fisiculturismo e o rugby. A força muscular e a explosão física dessas modalidades tornaram-se o alicerce para sua carreira no skeleton, que exige uma largada devastadora.

Após uma breve passagem pelo bobsled em 2017, Nicole encontrou sua vocação no skeleton em 2018. Enquanto a maioria das rivais europeias treina desde a infância, a brasileira atingiu o nível de elite em apenas quatro anos, garantindo uma classificação histórica para Pequim 2022.

A ciência da descida e a potência da largada

O skeleton é um esporte de precisão extrema: o atleta desce de bruços, com o rosto a poucos centímetros do gelo, em um trenó sem freios. A técnica de Nicole destaca-se por dois pilares:

Explosão Inicial: Herança do fisiculturismo, ela possui um dos pushs (largadas) mais fortes do circuito mundial, ganhando vantagem crucial nos primeiros 50 metros.

Pilotagem Instintiva: Mesmo com menos "horas de voo" que as adversárias, Nicole demonstra uma leitura rápida de pistas complexas, executando linhas de pilotagem que minimizam a perda de velocidade nas curvas.

Resultados que sustentam o sonho do pódio

A ascensão de Nicole no ranking da IBSF não é obra do acaso. Seus marcos refletem uma consistência rara para atletas de países sem tradição na neve:

Pequim 2022: 13ª colocação, o segundo melhor resultado da história do Brasil em Jogos de Inverno e o melhor de um latino-americano na modalidade.

Domínio na Copa América: Na temporada 2021/2022, venceu todas as cinco etapas que disputou, conquistando o título do circuito.

Elite Mundial: Frequenta regularmente o top 10 em etapas da Copa do Mundo, superando campeãs olímpicas e mundiais.

Resiliência: Enfermagem e vida no circuito

A biografia de Nicole é moldada por uma força mental admirável. Durante a pandemia de Covid, ela atuou na linha de frente como enfermeira no Canadá, conciliando plantões exaustivos com o treino para o sonho olímpico.

Fora das pistas, seu relacionamento com a belga Kim Meylemans, também atleta do skeleton, trouxe visibilidade e representatividade ao esporte. Poliglota e focada, Nicole Silveira simboliza uma mudança de patamar: o Brasil não busca mais apenas participar, mas sim competir no topo. Com foco em Milão-Cortina 2026, ela é a prova de que a maturidade esportiva e a técnica podem, sim, florescer onde menos se espera.

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