
São Paulo recebe o Palmeiras no clássico Choque-Rei deste domingo (5), no Morumbi
Foto: Rubens Chiri e Miguel Schincariol-Saopaulofc.net
O clima no MorumBIS deixou de ser puramente esportivo para se tornar um caso de polícia. Dados da Sala Digital, baseados no Google Trends, confirmam que o torcedor são-paulino está em busca de respostas que vão muito além das quatro linhas.
O interesse de busca pelo nome de Julio Casares em janeiro de 2026 é seis vezes maior do que quando ele foi eleito, em 2020, registrando um salto de 520% nas pesqiosas em apenas um mês.
Para se ter uma ideia da magnitude do interesse, o volume de pesquisas sobre Julio Casares agora é quase o triplo do pico histórico registrado para Augusto Melo, presidente do Corinthians, em maio de 2025 — período marcado por forte crise política no clube alvinegro, com denúncias de irregularidades administrativas e questionamentos sobre sua permanência no cargo.
A comparação é relevante porque Melo, à época, concentrava o maior volume recente de buscas por um dirigente de futebol no país, impulsionado por um cenário institucional semelhante ao que hoje envolve o São Paulo. O torcedor não quer mais saber de escalação; ele quer entender o futuro institucional do clube.
Julio Casares pode ser preso?
A pergunta "Júlio Casares pode ser preso?" tornou-se uma das mais buscadas relacionadas ao dirigente nos últimos 30 dias. O temor da torcida encontra respaldo na gravidade das investigações.
O caso, que começou com denúncias sobre um suposto esquema de venda irregular de camarotes, subiu de patamar e agora tramita em uma vara especializada em lavagem de dinheiro e crime organizado. Segundo a Justiça, existem indícios "muito fortes" e "relevantes" de operações financeiras estruturadas para ocultar recursos.
Os pontos centrais que alimentam o risco jurídico são:
Saques em dinheiro vivo
A Polícia Civil investiga 35 saques realizados entre 2021 e 2025 que somam R$ 11 milhões retirados diretamente das contas do São Paulo.
Depósitos em conta pessoal
Foram identificados depósitos que somam R$ 1,5 milhão em dinheiro nas contas pessoais de Casares e de sua ex-esposa, Mara.
Tipificação de crimes
O inquérito apura crimes de associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita. Embora o afastamento seja administrativo, o desfecho criminal pode, sim, resultar em sanções severas caso as irregularidades sejam comprovadas na esfera penal.
Harry Massis fez o quê pelo São Paulo?
Com o afastamento de Casares, o comando do clube passou para o vice-presidente Harry Massis Júnior, um empresário de 80 anos. A falta de conhecimento do grande público sobre o dirigente gerou uma onda de buscas como “Quem é Harry Massis?”, “Harry Massis Júnior é bom?”, “Harry Massis Júnior é rico?” e, talvez a mais importante, "Harry Massis fez o quê pelo São Paulo?".
Diferente do que muitos pensam, Massis não é um novato. Ele é sócio do clube desde 1964 e conselheiro vitalício, com uma trajetória de décadas nos bastidores. Suas principais contribuições anteriores incluem:
Era de Ouro (92/93)
Atuou como diretor adjunto administrativo durante as conquistas dos Mundiais Interclubes e integrou as delegações internacionais.
Título de 2001
Foi diretor adjunto de futebol entre 2001 e 2002, participando da gestão que conquistou o título do Torneio Rio-São Paulo e acompanhando o início da carreira de Kaká.
Perfil Empresarial
Fora do clube, é dono da tradicional rede Hotel Massis e de uma rede de estacionamentos em São Paulo.
Apesar do currículo, sua gestão é vista internamente como um período de estabilização e pacificação política até o fim do mandato em dezembro de 2026.
O futuro imediato
O impeachment aprovado pelo Conselho Deliberativo (188 votos a 45) ainda não é o ponto final. O presidente do Conselho, Olten Ayres, tem até 30 dias para convocar uma Assembleia Geral de Sócios. Caberá aos associados, por maioria simples, decidir se o afastamento de Casares será definitivo ou se ele retorna ao cargo.
Enquanto a política ferve, o clube lida com uma dívida projetada em R$ 1,1 bilhão para o início de 2026. Esse cenário financeiro congelou reforços pedidos pelo técnico Hernán Crespo, como o volante Allan e o meia Kevin Zenon, que agora aguardam a "era Massis" para saber se as negociações serão retomadas.
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