O conselheiro vitalício do São Paulo, Edson Francisco Lapolla, afirmou neste domingo (17), em entrevista ao Domingo Esportivo Bandeirantes, que o afastamento de Júlio Casares marca apenas o início de um processo mais profundo de mudança no clube. Para ele, a crise que atinge o Tricolor dentro e fora de campo é consequência direta de anos de gestões temerárias e da falta de reação da oposição nos bastidores.
“O que aconteceu na sexta-feira é só o começo. Essas pessoas do ‘eu ganhei, você ganhou, nós ganhamos’ precisam ser afastadas do clube”, disse Lapolla, em referência ao áudio que embasa o pedido de impeachment.
O conselheiro relatou bastidores da reunião que aprovou o processo contra Casares no Conselho Deliberativo. Segundo ele, o presidente afastado adotou um discurso de vitimização, apresentou documentos e atribuiu à imprensa a responsabilidade pela crise.
“Foi uma fala cheia de invencionices, se colocando como vítima o tempo inteiro. O conteúdo do áudio não muda. Aquilo é irrefutável”, afirmou.
Lapolla também criticou o custo operacional da reunião e a possível realização de uma Assembleia dos Sócios, que deve confirmar o impeachment.
“Gastou-se dinheiro com CET, polícia, funcionários, segurança. Dinheiro que não é dele, é do São Paulo. Para quê fazer assembleia se todo mundo já sabe o resultado? Vai ser 10 a 0 contra ele”, declarou.
Para o conselheiro, a situação atual do clube não é responsabilidade apenas da diretoria afastada. Ele aponta omissão histórica da oposição como um dos fatores que permitiram a consolidação do modelo que hoje colapsa.
“A culpa do São Paulo estar assim também é da oposição. Se lá atrás tivessem batido forte, se não tivessem engavetado processos, o clube não estaria nessa situação”, afirmou.
Lapolla defendeu mudanças estruturais no modelo de gestão do clube, criticou o sistema associativo atual e afirmou que, no futuro, o São Paulo inevitavelmente terá de discutir a adoção de um modelo de SAF. No curto prazo, porém, diz que o essencial é reformar o estatuto e democratizar o processo político interno.
“O São Paulo tem 22 milhões de torcedores, mas só pouco mais de 200 pessoas escolhem o presidente. Isso está falido”, disse.
Sobre o novo presidente interino, Harry Macris Júnior, Lapolla afirmou que ele terá a missão mais difícil das últimas décadas: reorganizar um clube com dívida próxima de R$ 1 bilhão e ambiente político fragmentado.
“Ele precisa unir os dois lados, trazer gente competente, experiente, e afastar quem faz parte desse modelo que nos trouxe até aqui. Sozinho, ninguém resolve isso”, concluiu.
A Assembleia dos Sócios que vai decidir o futuro definitivo de Júlio Casares deve ser convocada nas próximas semanas. Nos bastidores do clube, a expectativa é de confirmação ampla do impeachment.
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