
Harry Massis Junior, presidente do São Paulo
RODILEI MORAIS/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Resumo
O São Paulo vive um momento de instabilidade após a demissão de Hernán Crespo, mesmo com o time na vice-liderança do Brasileirão. A decisão foi tomada pela atual gestão após a saída do ex-presidente Julio Casares.
Com Harry Massis Jr. na presidência interina, a diretoria optou pela contratação de Roger Machado, que assinou contrato até dezembro de 2026. A troca no comando técnico gerou forte repercussão entre torcedores.
A crise política e as eleições previstas para o fim do ano deixam o planejamento esportivo do clube em aberto. A próxima gestão poderá redefinir o projeto do futebol tricolor.
O São Paulo vive um momento de incerteza institucional e esportiva após mudanças recentes na presidência e no comando técnico. A demissão de Hernán Crespo, oficializada na segunda-feira (9), ocorreu poucas semanas depois da renúncia de Julio Casares da presidência do clube e abriu um novo capítulo no planejamento do futebol tricolor.
Crespo deixou o cargo mesmo com o time vivendo um bom momento na temporada. A equipe havia sido eliminada pelo Palmeiras na semifinal do Campeonato Paulista, mas ocupava a vice-liderança do Campeonato Brasileiro, com a mesma pontuação do líder.
A decisão pela troca no comando foi tomada pela atual gestão liderada por Harry Massis Jr., que assumiu a presidência interinamente após a saída de Casares. O dirigente contou com o aval do executivo de futebol Rui Costa e do gerente esportivo Rafinha para definir a contratação de Roger Machado, que assinou contrato até dezembro de 2026.

Roger Machado é o novo técnico do São Paulo I Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC
Rui Costa explica demissão de Crespo
Durante a coletiva de apresentação do novo treinador, Rui Costa afirmou que a decisão partiu de uma convicção interna da diretoria, mesmo reconhecendo que a troca ocorreu em um momento incomum no futebol.
“Era necessária a mudança. Poderia ser muito mais fácil, no objetivo de autopreservação profissional, esperar que os resultados fossem ruins ou inconstantes para fazer a mudança na comissão”, afirmou o dirigente.
Segundo o executivo, a avaliação do trabalho vinha sendo feita internamente há algum tempo e a diretoria optou por agir antes de uma possível queda de rendimento da equipe.
“Entendíamos que a avaliação devia dar tempo para que as coisas pudessem evoluir, ou que nós precisávamos ampliar um pouco a nossa margem de análise”, completou.

Hernán Crespo, ex-técnico do São Paulo I Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC
Escolha por Roger Machado
Rui Costa também destacou que a contratação de Roger Machado passou pela convicção demonstrada pelo treinador sobre o potencial do elenco são-paulino.
O dirigente revelou que questionou diretamente o técnico durante as conversas para assumir o cargo.
“Eu perguntei ao Roger se ele acreditava que o São Paulo pode ser campeão. Ele mostrou convicção de que é possível conquistar títulos aqui”, disse.
Apesar das explicações da diretoria, a decisão gerou forte repercussão entre torcedores nas redes sociais, que criticaram a saída de Crespo em um momento considerado positivo dentro de campo.
Crise política influencia planejamento
O cenário de instabilidade política no São Paulo começou no início do ano. No dia 17 de janeiro, o Conselho Deliberativo aprovou o impeachment do então presidente Julio Casares. Pouco mais de um mês depois, em 21 de fevereiro, o dirigente oficializou a renúncia ao cargo.
Com isso, o vice-presidente Harry Massis Jr. assumiu a presidência de forma interina e passou a conduzir decisões importantes dentro do departamento de futebol.
Poucas semanas depois, já sob a nova gestão, o clube decidiu pela demissão de Hernán Crespo.
Planejamento alinhado ao fim da gestão
O cenário político também influencia diretamente o planejamento esportivo do clube. A atual gestão de Harry Massis Jr. permanecerá no comando até o final deste ano, quando o São Paulo terá novas eleições presidenciais.
Nesse contexto, decisões recentes do departamento de futebol foram tomadas dentro desse horizonte administrativo. Roger Machado assinou contrato até dezembro de 2026, prazo que acompanha o planejamento definido pela atual direção.
Rui Costa e Rafinha também fazem parte desse ciclo dentro do departamento de futebol. Já Hernán Crespo havia sido contratado ainda na gestão de Julio Casares e do ex-diretor Carlos Belmonte, que não fazem mais parte da estrutura do clube.
Com eleições previstas para o fim do ano, o projeto esportivo do São Paulo pode sofrer novas mudanças dependendo da direção que assumir o clube na próxima gestão, o que mantém o planejamento do futebol tricolor em aberto.
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