Esporte na Band

Como Edílson e Paulo Nunes viraram amigos após briga em 99

Final acabou em pancadaria generalizada, após Edilson fazer embaixadinhas durante o jogo

RODRIGO LIMA DA SILVA

09/05/2020 • 07:00 • Atualizado em 01/06/2020 • 21:52

Edilson Capetinha foi pivô de confusão generalizada durante o jogo

Edilson Capetinha foi pivô de confusão generalizada durante o jogo

Vidal Cavalcante/Estadão Conteúdo

"Sou mais amigo de Paulo Nunes do que de alguns jogadores que estavam do meu lado". Pela declaração de Edílson, nem parece que ele e o ex-rival protagonizaram uma das maiores confusões generalizadas da história do futebol brasileiro, que forçou até o fim, antes da hora, de uma final de campeonato. No caso, a decisão do Paulistão de 1999, entre Corinthians e Palmeiras, que a Band exibiu no último domingo, também pelo site e app, no "Você Torceu Aqui".

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A partida foi mostrada na íntegra, inclusive com a parte da briga, com a narração original de Luciano do Valle e comentários de Silvio Luiz e Roberto Rivellino

Relembrando a batalha, que terminou com o título do Corinthians, o atacante Edilson, pivô da tumulto, comentou sobre como os jogadores do Corinthians encaravam aquele jogo e sobre como superou a briga com Paulo Nunes, de quem hoje é amigo.

Perguntado sobre como os jogadores encaravam aquela partida, Edilson disse que a responsabilidade era toda da equipe do Corinthians.

“Ganhamos o primeiro jogo de três a zero e era inadmissível o Palmeiras reverter aquele placar. Nosso time era muito forte e a gente jamais poderia perder aquele título. A gente entrou com sangue no olho, e o Palmeiras entrou sem responsabilidade alguma”, disse o Capetinha.

O ex-atacante também comentou que os jogadores não entraram em campo acreditando que a fatura estava liquidada.

“A gente não achou que estava decidido, até porque o time do Palmeiras tinha uma capacidade enorme, tinha um ataque poderoso. Se a gente cochilasse, em três, quatro, cinco minutos, o time do Palmeiras poderia fazer dois ou três gols e endurecer o jogo. Eu acho que o que mais facilitou o jogo foi a expulsão [o palmeirense Cleber foi expulso aos 21 minutos do 1º tempo), e a gente jogou com um homem a mais e a vantagem no placar”, completou Edilson.

Edilson também contou como viu o fato de os jogadores do Palmeiras entrarem em campo com os cabelos pintados de verde, em comemoração ao título da Libertadores, conquistado dias antes. Para apimentar ainda mais, o rival havia eliminado o Corinthians na campanha.

“Não foi soberba. Os jogadores do Palmeiras já entraram desacreditados. Porque reverter o placar do primeiro jogo seria muito difícil, eles sabiam disso. Só que eles, para tirar uma onda com a gente e dizer que eram campeões da Libertadores, pintaram o cabelo de verde. Porque dentro de campo eles sabiam que era muito difícil ganhar da gente”, comentou o ídolo corintiano.

O momento mais marcante daquela final aconteceu aos 30 minutos do segundo tempo: sem marcação, Edílson parou e fez as famosas embaixadinhas, irritando os rivais. A “capetice” desencadeou uma das brigas mais marcantes do futebol brasileiro. Mas segundo o ex-jogador, nada disso foi planejado, e ele nem pensou em causar uma briga.

“Não planejei as embaixadinhas. Foi uma coisa natural. Eu fazia muito aquilo nos treinamentos, ficava equilibrando a bola, e foi uma maneira de eu tirar um pouco de sarro da equipe do Palmeiras. Nunca esperava que ia acabar naquela briga toda. Eu achava que o juiz ia me dar um cartão amarelo e o jogo ia seguir. Jamais eu imaginaria que o jogo fosse acabar daquela forma”, disse Edilson.

Apesar de generalizada, a confusão teve dois protagonistas. Edilson Capetinha e Paulo Nunes, o Diabo Loiro, foram os grandes nomes da batalha “infernal” que se viu no Morumbi. Depois do episódio, porém, os dois passaram a ter uma improvável amizade.

“O Paulo Nunes é o meu amigão. Já fizemos as pazes. Eu tenho um carinho enorme por ele, um cara muito querido por todo mundo. Aquilo ali foi coisa de dentro do campo. A gente passou um tempo sem se falar, logo depois daquilo, mas hoje em dia a gente é amigo pra caramba. Sou mais amigo do Paulo Nunes do que de alguns jogadores que estavam jogando do meu lado. Tenho mais contato hoje com ele, até por a gente trabalhar na mesma função, sempre viajando, fazendo os jogos de másters”, revelou Edilson.

Segundo Edilson, os dois fizeram as pazes de forma natural, e tudo o que aconteceu dentro das quatro linhas ficou campo.

“A gente foi se encontrando, um falando para o outro que aquilo era coisa de dentro de campo, para deixar aquilo pra lá. No início, falavam muito que a gente não olhava um na cara um do outro. Uma vez a gente se encontrou, um olhou para o outro e falamos: ‘a gente não pode ficar brigado’ e nos abraçamos. Isso foi muito legal”, recorda.

Edilson ainda explicou o motivo daquela final ser lembrada até hoje.

“Esse jogo é memorável porque não é todo dia que você vê embaixadinha dentro de campo. Um doido pegar a bola, ficar fazendo petequinha no meio do jogo e botar a bola no pescoço. É memorável por isso, e foi numa final entre Palmeiras e Corinthians”, concluiu o Capetinha.