Esporte na Band

Conmebol aprova volta atrás da Fifa em plano controverso e cutuca Uefa

Entidade sul-americana evita alinhar-se ao boicote da Uefa e defende respeito à governança institucional

Da redação
DA REDAÇÃO

06/08/2026 • 15:45 • Atualizado em 06/08/2026 • 15:45

Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol

Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol

Reprodução/Flickr/Confederación Sudamericana de Fútbol

Resumo

Manifestação da Conmebol ocorreu após a desistência da Fifa em avançar com o projeto comercial envolvendo investidores privados, liderado por Gianni Infantino, posicionando-se como contrária às medidas extremas da Uefa e destacando preocupação com ações unilaterais sem diálogo institucional.

Postura da entidade sul-americana foi de apoio moderado à Fifa, ressaltando a importância do respeito à governança, à institucionalidade e aos procedimentos democráticos, ao mesmo tempo em que evitou aderir ao boicote europeu contra Infantino.

Declarações da Conmebol enfatizaram a necessidade de unidade no futebol mundial, defesa do diálogo construtivo e preservação dos mecanismos institucionais como garantia para todos os envolvidos no esporte.

Última entidade do planeta a se manifestar sobre o polêmico projeto de Gianni Infantino de criar um plano comercial na Fifa com investidores privados, sob a justificativa de que precisava avaliar as propostas, a Conmebol voltou a se posicionar nesta quinta-feira (6).

Compartilhar

A entidade mostrou-se contrária às medidas extremas anunciadas pela Uefa ao comemorar a desistência do dirigente em dar sequência à proposta que nasceu fracassada. A confederação sul-americana destacou a "preocupação (da Fifa) pelas reiteradas ações unilaterais" e pontuou que "deve-se manter o respeito à governança".

Ante os acontecimentos que afetaram a família do futebol, o Conselho da Conmebol, reunido na data, celebra a decisão da Fifa de retirar a proposta do FIFA FORWARD ENTERPRISE.

A declaração foi divulgada pela instituição sul-americana.

A Conmebol aproveitou o recuo de Infantino para transmitir um voto de confiança à Fifa, que se tornou grande rival da Uefa, disposta a tudo para destituir seu presidente por conta do plano malsucedido.

Tal medida expressa de maneira unânime a preocupação pelas reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo ou aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento deste tipo de situação.

Por questão de dias, o futebol passou a ocupar o centro de atenção mundial para a realização de um evento esportivo extraordinário para concentrar o debate público em assuntos vinculados ao seu governo. Nos últimos anos, a Fifa impulsou uma profunda reforma de seus Estatutos com o propósito de fortalecer a institucionalidade, a transparência e o bom governo, estabelecendo procedimentos claros e mecanismos específicos para resolver as controvérsias que poderiam suscitar dentro da família do futebol, garantindo o devido processo e o respeito pelas normas que rigorosamente nossa organização.

Posição comedida frente ao boicote europeu

Diferentemente de outras entidades, como a Uefa, em guerra declarada contra Infantino, a Conmebol adota postura mais comedida no assunto, defendendo a linha de que o recuo da Fifa representa uma prova de respeito com todos os envolvidos no esporte.

Este marco institucional constitui uma garantia para todos. Por isso, quem tem a responsabilidade de conduzir nossas organizações deve privilegiar sempre o diálogo, o respeito às normas e a troca construtiva.

Quando esses princípios se deixam de lado, perdemos o futebol e perdemos todos. E o futebol é de todos.

Ainda na avaliação da Confederação Sul-Americana, o futuro do esporte deve ser construído tendo como base o respeito à institucionalidade, à governança e aos procedimentos democráticos que representam as 211 Associações Membro da Fifa. Com este entendimento, a instituição manteve-se isenta no movimento de boicote a Infantino promovido por outras federações.

A Conmebol não acompanhará nenhuma atuação ou procedimento que desconheça ou se aparte de seus mecanismos institucionais. O Conselho da Conmebol fez um chamado para preservar a unidade da família do futebol, atuar com responsabilidade institucional, fortalecer o diálogo e respeitar plenamente os mecanismos de governança. Porque, por mais de qualquer diferença, primeiro está o futebol.

Com informações da Estadão Conteúdo