
Osmar Stabile, presidente do Corinthians
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
O Corinthians deixou de declarar aproximadamente R$ 150 milhões em receitas ao Regime Centralizado de Execuções (RCE). A divergência foi identificada por perícia especializada, conforme divulgado pela ESPN e confirmado pelo Estadão, e o relatório foi anexado aos autos do processo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O clube afirmou não ter sido "formalmente intimado sobre a manifestação" e disse que se trata de "um valor gerencial de caixa que será conciliado à contabilidade, conjuntamente ao administrador judicial".
O que é o RCE e como funciona
O Regime Centralizado de Execuções (RCE) é um mecanismo jurídico usado pelo Corinthians para:
- Organizar e parcelar cerca de R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas;
- Concentrar processos em uma única vara judicial;
- Evitar bloqueios de contas bancárias;
- Permitir o pagamento ordenado de credores com receitas do clube, visando a reestruturação financeira.
Valores declarados x arrecadados
De acordo com a perícia realizada pela Laspro Consultores:
- Receitas declaradas pelo clube ao RCE em fevereiro de 2026: R$ 64.202.368,75;
- Receitas apuradas pela perícia no mesmo período: R$ 213.414.738,29;
- Diferença identificada: R$ 149.212.369,37.
A variação ocorreu porque não foram contabilizados:
- Operações financeiras: R$ 76.878.105,68;
- Transferências: R$ 65.508.053,90;
- Negociação de atletas: R$ 6.826.209,79.
Determinações da perícia à Justiça
O perito solicitou que:
- O Corinthians seja intimado para explicar a diferença nos valores;
- Recursos provenientes de vendas de jogadores sejam disponibilizados para um leilão reverso;
- Caso o clube não comprove a ausência dos valores, complete o montante que deveria ter sido pago em fevereiro de 2026 no período seguinte.
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