Esporte na Band

Corinthians omitiu quase R$ 150 milhões em receitas no RCE, aponta perícia

Levantamento identifica divergência nas receitas do clube alvinegro e pede explicações à Justiça

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DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO

17/03/2026 • 23:15 • Atualizado em 17/03/2026 • 23:27

Osmar Stabile, presidente do Corinthians

Osmar Stabile, presidente do Corinthians

ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Corinthians deixou de declarar aproximadamente R$ 150 milhões em receitas ao Regime Centralizado de Execuções (RCE). A divergência foi identificada por perícia especializada, conforme divulgado pela ESPN e confirmado pelo Estadão, e o relatório foi anexado aos autos do processo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

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O clube afirmou não ter sido "formalmente intimado sobre a manifestação" e disse que se trata de "um valor gerencial de caixa que será conciliado à contabilidade, conjuntamente ao administrador judicial".

O que é o RCE e como funciona

O Regime Centralizado de Execuções (RCE) é um mecanismo jurídico usado pelo Corinthians para:

  • Organizar e parcelar cerca de R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas;
  • Concentrar processos em uma única vara judicial;
  • Evitar bloqueios de contas bancárias;
  • Permitir o pagamento ordenado de credores com receitas do clube, visando a reestruturação financeira.

Valores declarados x arrecadados

De acordo com a perícia realizada pela Laspro Consultores:

  • Receitas declaradas pelo clube ao RCE em fevereiro de 2026: R$ 64.202.368,75;
  • Receitas apuradas pela perícia no mesmo período: R$ 213.414.738,29;
  • Diferença identificada: R$ 149.212.369,37.

A variação ocorreu porque não foram contabilizados:

  • Operações financeiras: R$ 76.878.105,68;
  • Transferências: R$ 65.508.053,90;
  • Negociação de atletas: R$ 6.826.209,79.

Determinações da perícia à Justiça

O perito solicitou que:

  • O Corinthians seja intimado para explicar a diferença nos valores;
  • Recursos provenientes de vendas de jogadores sejam disponibilizados para um leilão reverso;
  • Caso o clube não comprove a ausência dos valores, complete o montante que deveria ter sido pago em fevereiro de 2026 no período seguinte.