
Osmar Stábile, presidente do Corinthians
NICOLLAS VIEIRA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Resumo
Afastamento de Romeu Tuma Jr. da presidência do Conselho Deliberativo do Corinthians será votado em reunião extraordinária, convocada por Osmar Stábile, devido a denúncias de ameaças, assédio e interferências no trabalho da diretoria executiva, com acusações públicas feitas após episódio ocorrido em 9 de março.
Defesa de Romeu Tuma Jr. nega acusações, afirma que cobranças foram administrativas relacionadas à recontratação de segurança suspeito de colaborar com vandalismo, e contesta justificativas de intervenção do Ministério Público usadas para pautas urgentes, rejeitadas por Stábile como inverídicas.
Processo disciplinar inclui representação na Comissão de Ética, boletim de ocorrência e possível infração ao estatuto, impedindo Tuma Jr. de conduzir a votação, que será presidida pelo vice Leonardo Pantaleão, marcando o fim da aliança entre Stábile e Tuma Jr. em meio à proximidade das eleições no clube.
O clima político no Corinthians atingiu um novo nível de tensão. O presidente da diretoria executiva, Osmar Stábile, convocou oficialmente uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para a próxima segunda-feira (23), com o objetivo de votar o afastamento de Romeu Tuma Jr. da presidência do órgão. O encontro será realizado no teatro da sede social, no Parque São Jorge, com chamadas às 18h e 19h (de Brasília).
Acusações de ameaça e interferência
O pedido de afastamento baseia-se em denúncias de "ameaças, assédio e atitudes que teriam interferido no andamento dos trabalhos da diretoria executiva". O estopim público ocorreu em 9 de março, quando Stábile interrompeu uma reunião para acusar Tuma Jr. de tentativa de coerção.
Segundo o relato de Osmar Stábile:
"Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: 'Ou você faz o que eu quero ou eu vou te f... '. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso além de outras interferências. Trago aqui documentos sobre ele me pedindo atualizações sobre o que faço. Não posso aceitar mais isso."
A defesa de Romeu Tuma Jr.
Romeu Tuma Jr. nega o uso de palavrões e afirma que sua cobrança foi administrativa. O presidente do Conselho sustenta que interpelou Stábile após descobrir a recontratação de um antigo segurança, anteriormente demitido sob acusação de colaborar com atos de vandalismo no clube.
Tuma Jr. já havia encerrado a última reunião sem votar a reforma do estatuto, alegando falta de clima e enviando a pauta diretamente à Assembleia Geral de sócios como "medida de urgência", citando risco de intervenção do Ministério Público. No edital de convocação, Stábile classificou essa justificativa como "inverídica" e rechaçou qualquer possibilidade de interferência do MP.
Trâmite jurídico e suspensão liminar
O processo contra Romeu Tuma Jr. inclui:
- Representação Disciplinar: Protocolada na Comissão de Ética e Disciplina em 11 de março.
- Boletim de Ocorrência: Acompanha o pedido de suspensão liminar do cargo.
- Possível Perda de Mandato: O edital levanta a hipótese de infração a artigos do estatuto que regem o funcionamento do Conselho.
Por ser o investigado, Romeu Tuma Jr. não poderá conduzir a votação. A reunião de segunda-feira será presidida pelo vice-presidente do Conselho Deliberativo e ex-diretor jurídico, Leonardo Pantaleão.
Ruptura entre ex-aliados
A crise marca o fim definitivo da aliança entre Stábile e Tuma Jr. A relação, que já vinha se deteriorando há meses por discordâncias na gestão e debates sobre o novo estatuto, rompeu-se totalmente com a proximidade do período eleitoral no Corinthians.
Com informações da Estadão Conteúdo
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