Esporte na Band

Cuca fala sobre estupro e diz que ajuda mulheres: "Faço muito pela causa"

Técnico listou atitudes que tomou depois que condenação por estupro veio à tona

Da redação
DA REDAÇÃO

20/03/2026 • 19:50 • Atualizado em 20/03/2026 • 19:50

Quando Cuca foi anunciado como novo técnico do Santos, muitos torcedores criticaram a contratação por causa de uma polêmica - o treinador já foi condenado por estupro, em um caso que aconteceu em 1987. Depois de muitas polêmicas, a condenação foi anulada, em 2024. Nesta sexta-feira (20), ao ser apresentado no Santos, o técnico disse que aprendeu com tudo que aconteceu.

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Inicialmente ele lembrou de quando o caso gerou mais polêmica - foi na passagem pelo Corinthians, em 2023: “Quando eu fui para o Corinthians e aconteceu aquilo tudo, eu reuni minha família e falei: 'vamos resolver'. Nós fomos atrás do problema lá fora, no exterior. Nós fizemos tudo que um ser humano pode fazer para reabrir um processo e a gente não conseguiu. Foi pago lá uma indenização, que não precisava também. Foi paga para trazer para casa a dignidade de um homem, porque aquele caso do Corinthians me machucou bastante”.

Depois ele contou que tem se envolvido em ações que defendem as mulheres: “Eu entendo diferente hoje. Porque hoje a pessoa não quer saber do Cuca e do problema. A pessoa quer saber da causa. E eu fui entender isso conversando com bastante gente e muitas mulheres. Elas querem saber o que o Cuca faz pela causa. E eu faço muita coisa pela causa. Mas eu não sou de ficar falando. Eu não tenho rede social”.

Dessa vez o técnico listou atitudes que já tomou para ajudar mulheres: “Eu me afastei do futebol um ano para poder resolver isso. Eu gastei muito dinheiro para poder resolver isso. Hoje eu faço palestras. Eu reuni Athletico-PR, Coritiba e Paraná Clube nas categoria de base, com um feminino junto, discutindo o tema. É tão bacana discutir o tema. Isso se chama educar. Eu banquei curso de arbitragem feminina para que tenha mais inclusão as mulheres na arbitragem. E formaram-se lá 14 mulheres, se não me engano. Eu recebi na minha casa um time de vôlei feminino de Irati, que veio disputar campeonato em em Curitiba e não tinha essa condição, então ficaram ali. Eu ajudo entidades de mulheres carentes, que já sofreram algum tipo de de abuso. Eu faço muita coisa por isso”, reforçou ele.

Por fim, Cuca falou sobre a importância de lutar pela redução dos feminicídios: “Hoje eu entendi existem cinco vítimas de feminicídio por dia. Tem 20 milhões de mulheres que sofrem algum tipo de abuso ou de agressão no mundo. E cabe a nós, homens, tentar ajudar para que isso diminua. Porque acabar é difícil. Quem dera acabasse. Mas para que diminua. Porque eu também tenho mulheres na minha família, assim como vocês têm. E a gente não tem que esperar que aconteça alguma coisa com a gente para depois fazer. Então o que eu estou falando hoje, eu falo até para muitos amigos meus, é: se a gente puder fazer alguma coisa para diminuir esse feminicídio, a gente tem que fazer”.

Questionado sobre os torcedores que estão cancelando planos de sócios e protestando, Cuca disse que entende, mas faz um pedido: “Eu entendo as pessoas que ficam decepcionadas, porque elas vivem das notícias. Mas peço que elas entendam o Cuca também. Eu fiz tudo o que eu podia dentro da condição ideal. O importante, hoje, não é o Cuca. É a causa. O Cuca já falou aqui as coisas que ele faz pela causa. E vou continuar fazendo. A minha jornada não acabou. Ela tem ainda muito caminho pela frente. As pessoas têm o direito de reclamar, as pessoas têm o direito de achar ruim, mas eu gostaria que elas me conhecessem, sabe? Eu estou aberto. Se algum dia quiserem me conhecer, conversar, saber o que eu faço, por quem eu faço, pelo que eu faço, eu estou disponível a todas elas. E eles também”.

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