
Governo Trump deve dificultar entrada de imigrantes com ingressos
Reprodução: AFP
A Copa do Mundo de 2026 foi vendida como uma oportunidade única de globalização, afinal agora serão 48 seleções. Mas a maior sede do Mundial, os Estados Unidos, gera um temor sobre a questão dos imigrantes. E faltam só 100 dias para a competição.
Essa preocupação existe desde o início da preparação para a Copa, mas ganhou força após episódios da Copa do Mundo de Clubes de 2025. Segundo a Human Rights Watch, um imigrante foi detido no estacionamento do MetLife Stadium, em Nova Jersey, enquanto os filhos entravam para assistir à partida. A entidade afirmou que a ausência de “zonas de proteção” ao redor dos estádios cria um ambiente de risco para residentes em situação irregular.
Diferentemente de edições anteriores, quando a Fifa negociou regimes especiais de facilitação consular, o Departamento de Estado americano informou que o livre trânsito automático será restrito a atletas, membros de delegações e autoridades credenciadas. Torcedores continuarão sujeitos às regras gerais de elegibilidade.
Em janeiro deste ano, os EUA congelaram o processamento de vistos de imigrantes para 75 países, incluindo 4 nações que terão seleções na Copa: Haiti, Irã, Costa do Marfim e Senegal.
O governo americano até implementou um "passe da FIFA", que permite aos portadores de ingressos agilizar seus agendamentos na embaixada americana. Mas reforçou que "o ingresso não é um visto".
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou que “nenhum evento esportivo suspende a aplicação da lei federal”, afastando a possibilidade de salvo-condutos temporários.
Já a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, confirmou que a Copa será tratada como evento de segurança máxima, com reforço de fiscalização em aeroportos e áreas próximas às arenas. Com os conflitos recentes no Oriente Médio, esse cenário fica ainda mais grave.
A repercussão ultrapassou o Atlântico. Movimentos civis na Holanda e na Alemanha lançaram abaixo-assinados defendendo boicote parcial ao torneio em solo americano, citando deportações e detenções registradas nos últimos meses. Embora federações nacionais não tenham aderido formalmente à proposta, o debate ganhou espaço em parlamentos europeus.
O impacto econômico já é calculado. Projeções de órgãos de turismo dos EUA indicam possível redução de até 22% na receita inicialmente estimada com visitantes estrangeiros, diante da incerteza sobre vistos e do receio de barreiras migratórias.
O que resta de alívio são os discursos do México e do Canadá, as outras sedes da Copa. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum reiterou que o país “garantirá mobilidade segura” no jogo de abertura. E o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, confirmou cooperação consular.
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