
Gianni Infantino, presidente da Fifa
REUTERS/Agustin Marcarian/File Photo
Resumo
A decisão da Fifa de retirar a proposta de abertura das operações comerciais da Copa do Mundo para investidores privados provocou forte reação de confederações e federações nacionais, que exigiram avanços em governança, transparência e participação das associações-membro nas escolhas estratégicas, com destaque para críticas da Concacaf e da Federação Inglesa.
A postura de entidades da América do Norte, Europa e Oceania foi marcada por cobranças públicas por processos transparentes, consultas robustas e avaliações independentes, sendo defendida a necessidade de revisão profunda na liderança e no formato de elaboração de projetos globais, enquanto organizações como Football Australia e Federação da Nova Zelândia ressaltaram preocupações e rejeitaram a proposta.
O apoio à gestão de Gianni Infantino veio da Federação de Futebol do Catar e da Federação Real Marroquina de Futebol, que elogiaram o recuo da Fifa por preservar a unidade entre associações-membro, destacando os méritos dos programas da entidade e sinalizando respaldo ao dirigente, com expectativa de novos posicionamentos oficiais em breve.
A decisão da Fifa de retirar a proposta de abertura das operações comerciais da Copa do Mundo a investidores privados esteve longe de pacificar os bastidores do futebol internacional. Logo após o recuo da entidade, confederações e federações nacionais divulgaram comunicados oficiais exigindo avanços em governança, transparência e na participação das associações-membro nas escolhas estratégicas da gestão comandada por Gianni Infantino.
A reação mais incisiva partiu da Concacaf, órgão responsável por 41 associações da América do Norte, Central e Caribe. A entidade enalteceu a postura unificada de seus filiados, destacando que demonstraram "coragem e unidade" ao defender "os interesses de longo prazo do futebol e os princípios da boa governança".
Na nota emitida, a confederação criticou severamente o processo de elaboração do projeto:
O futuro da Copa do Mundo da Fifa, o maior patrimônio do futebol mundial, foi levado adiante fora de qualquer estrutura de governança estabelecida, sem transparência, consulta ou devido processo.
Para a Concacaf, "uma proposta dessa magnitude não chega a esse estágio por acidente", representando "um sintoma de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar". A organização subiu o tom ao apontar que o problema ultrapassa este episódio recente:
Este recente ato unilateral e flagrante de má governança e liderança segue um padrão de equívocos e comportamentos semelhantes. Um amplo acerto de contas com esta presidência é imperativo.
A nota relembrou ainda que "a Fifa não é uma empresa privada. É uma instituição que existe em nome do futebol e de seus membros", defendendo a responsabilização de dirigentes que descumprirem essa premissa. A Concacaf também elogiou o papel da imprensa em revelar os planos do Gianni Infantino.
Pressão europeia e posicionamento na Oceania
No continente europeu, a Federação Inglesa (FA) alinhou-se integralmente à postura da Uefa ao requisitar reformulações no comando da entidade máxima do esporte.
É hora de uma revisão completa e robusta da liderança e da governança da Fifa para garantir que o futebol mundial seja administrado com transparência, em benefício de todas as 211 associações nacionais e com o compromisso de preservar o esporte a longo prazo.
Na Oceania, a Football Australia comemorou a suspensão da pauta, ressaltando a necessidade de revisão no formato de construção de projetos globais.
A federação apontou em nota que "propostas de importância global devem ser desenvolvidas por meio de consultas robustas, processos adequados de governança e um diálogo significativo com as associações-membro antes de serem submetidas à apreciação", concluindo que "integridade, independência, boa governança, transparência, consulta efetiva e devido processo não são obstáculos ao progresso. São o que tornam o progresso duradouro possível".
No mesmo continente, a Federação da Nova Zelândia declarou que o projeto "carece das avaliações independentes de governança, jurídicas e financeiras necessárias para permitir uma análise robusta". A entidade frisou ter "questionamentos e preocupações tanto sobre a proposta quanto sobre a forma como ela foi desenvolvida e apresentada", cravando que "não podemos apoiar esta proposta".
Países que saíram em defesa da gestão
Em contrapartida, a Federação de Futebol do Catar manifestou apoio público a Gianni Infantino. Em texto assinado pelo presidente Sheikh Hamad bin Khalifa bin Ahmed Al Thani, o órgão declarou que "recebe com satisfação a decisão do presidente da Fifa de retirar a proposta FIFA Forward Enterprise, no interesse da comunidade global do futebol".
Mesmo avaliando que o plano "tinha mérito", a federação catari afirmou que "a sabedoria de priorizar a união entre as associações-membro deve ser aplaudida", reforçando o respaldo às iniciativas do dirigente para "continuar a desenvolver e fortalecer o futebol em nível global".
A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) seguiu linha idêntica, classificando o recuo como uma atitude "sábia" por resguardar "a unidade e a coesão entre as associações-membro da Fifa".
A FRMF ressaltou que os programas da entidade, sobretudo no continente africano, "representam uma conquista valiosa que deve ser preservada", reafirmando a aliança com Infantino no desenvolvimento da modalidade.
A expectativa do meio esportivo é de que novas manifestações oficiais sejam divulgadas por outras federações nas próximas horas, ampliando o debate global sobre os rumos da governança da instituição.
Com informações da Estadão Conteúdo
Não perca nenhum lance!
Leia o melhor do esporte de graça, direto no seu e-mail
Selecione os seus temas favoritos:

