
Giannina Maradona (à direita) durante julgamento sobre morte do pai
REUTERS/Cristina Sille
O julgamento sobre a morte de Diego Maradona ganhou contornos dramáticos nesta terça-feira (21), no Tribunal de San Isidro, na Argentina. Em seu depoimento, Giannina Maradona acusou formalmente a equipe médica — composta pelo neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Díaz — de manipular a família e oferecer um tratamento domiciliar inadequado após a cirurgia cerebral do ídolo.
"Manipulação absoluta e horrível"
Durante o terceiro dia de julgamento, Giannina não conteve as lágrimas ao descrever o que chamou de estratégia deliberada para afastar os familiares e piorar o estado de saúde de seu pai.
"Eles nos diziam a todo tempo que o importante era meu pai não consumir álcool. Depois, que o uso de álcool era zero. A manipulação foi absoluta e horrível", acusou Giannina.
A filha do craque relatou cenas perturbadoras sobre as visitas à residência:
Sempre que eu falava com meu pai e dizia que ia para a casa dele, davam mais comprimidos ou álcool para ele, criando uma situação ruim para que eu quisesse ir embora. Meu pai era a pessoa mais rápida do planeta e estava piorando cada vez mais, lamentou.
Relato do último aniversário: "Não se reconheceu"
Giannina apresentou uma foto de Maradona aos 59 anos para contrastar com o estado em que o encontrou no seu 60º aniversário. Segundo ela, o pai apresentava um olhar distante e confusão mental severa.
"Ele estava olhando fixamente para o fogo na lareira e eu disse 'feliz aniversário'. Meu pai apenas olhou para a camiseta do Benja (seu neto). Ele tinha uma foto dele com o Caniggia, mas não se reconheceu", revelou, denunciando maus-tratos.
Áudio e provas de negligência
De acordo com a Agência Argentina de Notícias, Giannina definiu Leopoldo Luque como o "rei da manipulação". Um dos momentos mais tensos do dia foi a exibição de um áudio de Carlos Díaz, no qual o psicólogo sugere à equipe médica "passar a bola", indicando que deveriam interromper o tratamento e deixar o ex-jogador vir a óbito.
Isso me deixa com raiva, reagiu Giannina, indignada.
A acusação também aponta que a psiquiatra Agustina Cosachov impedia que enfermeiros terceirizados tivessem acesso direto a Maradona. Além dos áudios, mensagens trocadas entre a equipe médica, onde discutiam a necessidade de "se proteger", são utilizadas como provas de que não agiram corretamente.
Desfecho do julgamento
O processo ainda não tem data para ser encerrado. Ao todo, sete pessoas da equipe médica respondem pelo caso e podem ser condenadas a até 25 anos de prisão. A justiça argentina segue analisando se a internação domiciliar foi uma escolha negligente que levou à morte do maior ícone do futebol do país em 2020.
Com informações da Estadão Conteúdo
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