De onde vieram os técnicos da final da Copa? A resposta está na base
De la Fuente já foi professor de Scaloni na Espanha

De la Fuente e Scaloni treinaram seleções de base
Reuters/Kirby Lee/ Nathan Ray Seebeck
A final da Copa do Mundo de 2026 vai reunir técnicos com histórias parecidas: Lionel Scaloni e Luis de la Fuente não eram famosos quando assumiram as seleções principais. Mas fizeram bons trabalhos internamente, principalmente nas categorias de base. Depois foram promovidos e levaram Argentina e Espanha para o topo do futebol mundial.
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E ainda tem uma história curiosa que envolve o início dos dois: De la Fuente foi professor de Scaloni em um curso de treinadores na Federação Espanhola. Ele já disse que gostaria de enfrentar o argentino por causa disso: “Eu tenho muita expectativa para enfrentar a Argentina, pela amizade que tenho com Lionel Scaloni".
Do contrato de 3 meses à final da Copa
Em 2013, Luis de la Fuente estava sem clube. Por indicação de um colega, a federação espanhola lhe ofereceu um humilde contrato de apenas três meses para assumir a seleção Sub-19.
Deu muito certo. O acordo provisório transformou-se em uma jornada de quase uma década, onde De la Fuente comandou as seleções espanholas do Sub-18 ao Sub-23. No caminho, acumulou taças importantes, como a Eurocopa Sub-19 (2015) e a Eurocopa Sub-21 (2019).
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Mas esses títulos, nas categorias de base, ficam em segundo plano. O objetivo central é lapidar e promover talentos para o time principal. E isso deu muito certo.
O maior exemplo prático dessa mentalidade ocorreu nas Olimpíadas de Tóquio, com a seleção sub-23: a Espanha perdeu a final olímpica para o Brasil, ficando com a medalha de prata. Em vez de terra arrasada, o torneio serviu para consolidar a espinha dorsal do país - oito jogadores daquele elenco olímpico estarão na final da Copa do Mundo.
Ao assumir o time profissional, o treinador colheu os frutos de anos de convivência com os atletas. Ele transformou o tradicional estilo espanhol, tornando o jogo da equipe mais vertical e agressivo, sem perder o controle técnico. Fora de campo, destaca-se por uma gestão de elenco afetuosa, paternal e extremamente discreta, tratando os jogadores como uma extensão de sua família.
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O herói “acidental”
A trajetória de Lionel Scaloni na Argentina seguiu um ritmo muito mais veloz, mas com as mesmas raízes de formação. Logo após se aposentar dos gramados, ele iniciou sua transição para a beira do campo trabalhando nas categorias de base do Mallorca, na Espanha.
Depois, em 2017, ele começou o trabalho discreto na Argentina: foi analista de desempenho e auxiliar de Jorge Sampaoli na Copa do Mundo.
Em 2018, assumiu a seleção argentina Sub-20. Venceu o Torneio Internacional de L'Alcúdia e deixou uma excelente impressão.
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Naquele momento, a federação enfrentava uma grave crise financeira e não tinha caixa para contratar técnicos de renome internacional. A solução foi caseira e ousada: promover o jovem Scaloni ao time principal.
Scaloni já disse que viveu uma experiência importante quando jogava na base da Argentina: foi campeão mundial Sub-20, em 1997, sob o comando de José Pékerman. Ele conta que o técnico é uma forte influência na carreira, principalmente para lançar jovens e fazer gestão do elenco.
Scaloni foi campeão da Copa América de 2019 e se consolidou no cargo. Venceu a Copa do Mundo de 2022 e pode fazer história agora: se derrotar o antigo professor, De la Fuente, será o técnico mais jovem a vencer a Copa do Mundo duas vezes seguida. Um feito gigante para um herói “acidental”.
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