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O amarelão que virou "Deus": a trajetória de Messi até a final da Copa

Dados do Google Trends mostram como Messi foi de grande decepção para ídolo absoluto dos argentinos na última década.

5 min

18/07/2026 18:00 • Atualizado há 2 dias

Messi

Messi

REUTERS/Carlos Barria

Durante boa parte da carreira, Lionel Messi viveu um paradoxo raro no esporte. Enquanto acumulava títulos pelo Barcelona, conquistava Bolas de Ouro e era tratado no restante do mundo como um dos maiores jogadores da história do futebol, dentro da Argentina sua relação com parte da torcida permanecia distante.

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O talento nunca esteve em discussão. A dúvida era outra: afinal, Messi representava a seleção argentina da mesma forma que representava seu clube?

Essa desconfiança ganhou até uma expressão bastante conhecida entre os argentinos. Durante anos, Messi foi chamado de "pecho frío", termo usado para definir jogadores que parecem não sentir o peso da camisa, que não demonstram a intensidade esperada nos momentos decisivos ou que desaparecem justamente quando a equipe mais precisa deles.

Para muitos argentinos, o camisa 10 ainda não carregava a identidade competitiva que historicamente marcou a seleção do país.

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Os dados do Google Trends ajudam a mostrar como essa percepção mudou ao longo do tempo. E o ponto mais curioso dessa história é que o momento de maior rejeição aconteceu justamente quando Messi atravessava uma das melhores fases de sua carreira.

O auge do melhor jogador do mundo coincidiu com o auge das críticas

Em 2015, Messi já havia conquistado quatro Bolas de Ouro e caminhava para levantar a quinta. Naquela temporada, foi campeão espanhol, campeão da Liga dos Campeões e liderou, ao lado de Neymar e Luis Suárez, um dos ataques mais lembrados da história recente do futebol. Para boa parte do planeta, já não existiam dúvidas de que ele ocupava um lugar entre os maiores jogadores de todos os tempos.

Na seleção argentina, porém, a realidade era bem diferente. A derrota para o Chile na final da Copa América aprofundou uma sensação que vinha sendo construída havia anos. Depois de perder decisões importantes com a camisa da Argentina, Messi passou novamente a ser alvo de críticas sobre sua postura em campo e sua capacidade de liderar a equipe nos momentos decisivos.

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Foi justamente naquele contexto que na Argentina o Google Trends registrou o maior interesse de busca por "Messi pecho frío" em toda a série histórica analisada pela Sala Digital.

Quatro finais perdidas e uma aposentadoria inesperada

A frustração da Copa América de 2015 não foi um episódio isolado. Ao fim de 2016, Messi havia disputado quatro finais pela seleção principal (uma Copa do Mundo e três Copas América) e terminado todas com o vice-campeonato. O peso dessas derrotas alimentava a comparação constante com Diego Maradona e reforçava a ideia de que, apesar do talento, ainda faltava ao camisa 10 algo que os argentinos consideravam essencial.

O momento mais simbólico dessa fase aconteceu em 2016. Depois de desperdiçar uma cobrança de pênalti na decisão da Copa América Centenário, novamente contra o Chile, Messi anunciou que estava deixando a seleção argentina. A aposentadoria durou apenas alguns meses, mas deixou claro o tamanho da pressão que cercava sua trajetória com a camisa da Argentina.

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A transformação começou antes da Copa do Mundo

O ponto de virada dessa história começou a ser construído em 2021. Depois de 28 anos sem conquistar um título, a Argentina derrotou o Brasil na final da Copa América e encerrou um dos maiores jejuns de sua história. A conquista foi importante por si só, mas representou também uma mudança na maneira como Messi passou a ser visto pelos próprios argentinos.

Ao longo dos anos seguintes, o camisa 10 deixou de ser apenas o líder técnico da equipe para assumir também uma liderança emocional. Passou a comprar as brigas da seleção, discutir com árbitros, cobrar companheiros e viver as partidas de maneira muito mais intensa do que fazia no início da carreira. Foi desse novo Messi que nasceu uma das cenas mais marcantes da Copa do Mundo de 2022: o "¿Qué mirás, bobo? Andá para allá", direcionado ao atacante holandês Wout Weghorst após a classificação sobre a Holanda.

Mais do que uma frase que viralizou, o episódio simbolizou algo maior. Para muitos argentinos, aquele era finalmente um Messi que demonstrava em campo a personalidade e a intensidade historicamente associadas à seleção do país.

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O título mudou também a imagem de Messi

A conquista da Copa do Mundo de 2022 representou o último grande objetivo esportivo da carreira de Messi. Mas ela também consolidou uma mudança de percepção construída ao longo de vários anos.

Os dados do Google Trends ajudam a visualizar essa transformação. Se em 2015 o maior pico de interesse estava concentrado nas buscas por "Messi pecho frío", após o título mundial aconteceu exatamente o contrário: "Messi Dios" alcançou seu maior nível de interesse de busca em toda a série histórica. A discussão deixou de ser se Messi representava ou não a Argentina. A partir daquele momento, ele passou a ocupar um espaço reservado apenas aos maiores ídolos da história do país.

Aos 39 anos, a história continua sendo escrita

Quatro anos depois da conquista no Catar, Messi segue ampliando sua própria trajetória. Na Copa do Mundo de 2026, o argentino já soma oito gols e quatro assistências, participando diretamente de 12 gols da seleção. Também chegou aos 21 gols em Mundiais, tornando-se o maior artilheiro da história da competição, além de alcançar 12 assistências, recorde absoluto entre todos os jogadores que disputaram Copas do Mundo.

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Mas talvez os números não sejam o aspecto mais marcante desta campanha. A Argentina construiu sua classificação com vitórias dramáticas, prorrogações, viradas improváveis e jogos decididos nos minutos finais. É uma seleção que se recusa a desistir, mesmo quando tudo parece perdido. E o símbolo dessa equipe é justamente o jogador que, durante anos, foi acusado de não sentir o peso do momento.

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