Desafeto de CR7 e 'ex-galáctico', técnico de Gana será recordista em Copas
Carlos Queiroz se tornará apenas o segundo treinador na história a participar de cinco torneios consecutivos como treinador

Carlos Queiroz, técnico de Gana
REUTERS/Piroschka van de Wouw
A Copa do Mundo de 2026 vai igualar mais um recorde nesta quarta-feira (17). Gana e Panamá entram em campo às 20h (horário de Brasília), na penúltima partida da rodada, com Carlos Queiroz se tornando o segundo treinador da história a disputar cinco Copas do Mundo seguidas.
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Antes da Gana, onde está há dois meses, o treinador comandou Portugal em 2010 e o Irã nos três mundiais seguintes (2014, 2018 e 2022). Antes dele, só o sérvio Bora Milutinovic havia alcançado o feito, à frente de cinco seleções diferentes: México (1986), Costa Rica (1990), Estados Unidos (1994), Nigéria (1998) e China (2002).
Aos 73 anos, o moçambicano pode, no futuro, igualar outro recorde: o de mais participações na história da competição como treinador, que pertence a Carlos Alberto Parreira.
Parreira estreou com o Kuwait em 1982, comandou os Emirados Árabes Unidos em 1990, foi tetracampeão com o Brasil em 1994, liderou a Arábia Saudita em 1998 — quando se tornou o primeiro treinador demitido durante uma Copa —, voltou à Seleção Brasileira em 2006 e fechou a conta com a África do Sul em 2010.
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A carreira de Queiroz começou nas categorias de base de Portugal, onde se destacou ao conquistar dois Mundiais sub-20 (1989 e 1991) e uma Eurocopa sub-16 (1989), antes de assumir o comando da seleção principal portuguesa, ainda em 1991.
Passou depois por Sporting, NY MetroStars (atual NY Red Bulls, dos Estados Unidos) e Nagoya Grampus, do Japão, antes de voltar a chefiar seleções nacionais: Emirados Árabes Unidos em 1999, Arábia Saudita em 2000 e África do Sul em 2001.
Ficou marcado também por ajudar a lapidar Cristiano Ronaldo como auxiliar de Alex Ferguson no Manchester United, e por comandar o Real Madrid na fase dos Galácticos — passagem da qual saiu sem deixar boas lembranças.
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A relação com Ronaldo, que ajudou a formar quando o português ainda era jogador, esfriou na Copa de 2010. Eliminado nas oitavas de final para a Espanha, o atacante foi questionado sobre o motivo da queda e respondeu de forma enigmática: "Pergunte ao Carlos Queiroz". A frase abriu um racha entre os dois.
O distanciamento ficou evidente oito anos depois, na Rússia, quando o Irã enfrentou Portugal. Após o empate em 1 a 1, o treinador criticou a falta de humildade do ex-pupilo, que não o teria cumprimentado em campo: "A Federação Portuguesa não começou na Ilha da Madeira", disse, em referência ao local de nascimento do camisa 7.
Outra polêmica em torno do treinador surgiu este ano, envolvendo o volante Thomas Partey, ex-Arsenal e hoje no Villarreal, da Espanha, um de seus convocados para o Mundial. O jogador, de 33 anos, responde na Inglaterra a acusações de estupro e agressão sexual e foi defendido por Queiroz.
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"Até onde eu sei, na Inglaterra, em Portugal ou em qualquer lugar, ainda vivemos sob a presunção de inocência até que um tribunal decida. Mas hoje isso não vale só para o caso do Thomas: somos condenados antes mesmo de ter a chance de nos defender. Se eu tiver que fazer um comentário sobre este mundo moderno, é sobre como as pessoas se expressam com total impunidade — dizem o que querem, fazem o que querem, e ninguém é cobrado por isso", disse o treinador.
Partey foi preso em 2025 e solto sob fiança com a condição de não procurar as mulheres que o acusam. Por conta do processo, o governo do Canadá negou o visto ao jogador, que está fora da estreia da Gana no Mundial.
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