Esporte na Band

Gramados sintéticos dominam CTs dos times brasileiros; veja quantos são

Mais da metade dos clubes das Séries A e B já utiliza grama artificial nos centros de treinamento

Da redação
DA REDAÇÃO

02/01/2026 • 13:38 • Atualizado em 02/01/2026 • 13:45

Gramado Sintético

Gramado Sintético

Reprodução

A discussão sobre o uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro ganhou força nos últimos anos e não se limita apenas aos estádios. Em 2026, além de seis clubes da Série A utilizarem a grama artificial em jogos como mandante, essa realidade também se consolidou nos centros de treinamento das equipes que disputam as duas principais divisões do país.

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Atualmente, 22 dos 40 clubes das Séries A e B contam com campos de grama sintética em seus CTs. O número deve crescer em breve, já que Botafogo, Athletic, Ferroviária e Paysandu estão em fase de construção de campos com esse tipo de piso. Entre os times da Série A, apenas Internacional e Vasco ainda não adotaram o gramado sintético em seus centros de treinamento.

Investimento em estrutura e tecnologia

Um dos exemplos mais recentes é o Juventude, que inaugurou o primeiro campo sintético do Centro de Formação de Atletas e Cidadãos (CFAC), em Caxias do Sul. A estrutura, utilizada tanto pelas categorias de base quanto pelo elenco principal, recebeu o selo FIFA Quality Pro, o mais alto concedido pela entidade.

“Demos mais um passo fundamental em nosso processo de crescimento estrutural. Dentro de um rigoroso controle orçamentário, não temos medido esforços para oferecer aos atletas e à comissão técnica o melhor que estiver ao nosso alcance”, afirmou o presidente do clube, Fábio Pizzamiglio.

Outro clube da elite que concluiu a instalação do gramado sintético em 2025 foi o Santos. O campo, também certificado pela Fifa, passou a ser utilizado como parte do processo de adaptação dos atletas para partidas disputadas nesse tipo de piso.

“É fundamental melhorar as condições de trabalho investindo na estrutura em diversas áreas do clube. A instalação do gramado sintético valoriza nosso patrimônio e oferece tecnologia de ponta para o desenvolvimento das atividades”, destacou o presidente santista, Marcelo Teixeira.

Série B também acompanha a tendência

Na Série B, o Cuiabá finalizou as obras do campo 4 do CT Manoel Dresch, que recebeu grama sintética com padrão FIFA Quality Pro, o mesmo utilizado pelo Chelsea em um de seus campos de treino.

“Esse campo amplia nossa capacidade de treinamentos e nos ajuda a nos adequar a pisos utilizados em alguns estádios do Brasil. É um investimento que garante qualidade, segurança e eficiência no dia a dia”, afirmou o presidente Cristiano Dresch.

Outro exemplo recente é o Botafogo-SP, que inaugurou um campo sintético na Botafogo Academy, novo centro de treinamento das categorias de base do clube. O investimento total do complexo gira em torno de R$ 25 milhões.

Custo e manutenção pesam na decisão

Especialistas apontam que fatores climáticos e financeiros têm influenciado a escolha dos clubes. Segundo Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa especializada em infraestrutura esportiva, o gramado sintético é uma alternativa mais viável para muitas equipes.

“Cientificamente, foi comprovado que o gramado sintético de alto padrão possui estrutura semelhante ao natural, passando por mais de 30 testes. Além disso, a manutenção do gramado natural é cerca de dez vezes mais cara”, explicou.

Debate segue no cenário internacional

Na Europa, o movimento é inverso. Países como Holanda já proibiram partidas em gramados 100% artificiais após pressão de sindicatos de jogadores, que alegam impactos no desempenho e maior risco de lesões. As principais ligas do continente — Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França e Portugal — também não realizam jogos em campos totalmente sintéticos.

Por outro lado, exceções existem. O Young Boys, da Suíça, utiliza grama sintética em seu estádio por questões climáticas. A Uefa permite o uso desse tipo de piso em suas competições, desde que o campo tenha certificação FIFA Quality Pro, exceto na final.

Impacto físico nos atletas

Do ponto de vista físico, estudos indicam diferenças na exigência dos jogadores. Segundo o fisioterapeuta esportivo Fabrício Rapello, zagueiros, volantes e laterais percorrem distâncias maiores e realizam mais ações de alta intensidade em jogos disputados no gramado sintético.

“É necessário que as comissões técnicas planejem treinos específicos para que os atletas suportem a maior demanda física imposta por esse tipo de piso”, explicou o especialista, que já trabalhou no Santos.

Clubes com campo de gramado sintético no CT

Atlético-MG, Bahia, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Grêmio, Juventude, Mirassol, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo, Sport, Vitória, Athletico-PR, Avaí, Botafogo-SP, CRB, Coritiba e Cuiabá.

Clubes com campo sintético em construção no CT

Botafogo, Athletic, Ferroviária e Paysandu.

Clubes sem campo sintético no CT

Internacional, Vasco, Amazonas, América-MG, Atlético-GO, Chapecoense, Criciúma, Goiás, Novorizontino, Operário, Remo, Vila Nova e Volta Redonda.

Com Agência Estado

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