Jogo Aberto

Após sobreviver ao incêndio no Fla, "Paquetázinho" supera trauma e é campeão

Caike Silva subiu para Série C e acredita que a estrutura do Barra é comparável à do Flamengo

Allan Brito
ALLAN BRITO

13/10/2025 • 00:26 • Atualizado em 13/10/2025 • 00:26

Caike Silva tinha o apelido de "Paquetázinho" no Flamengo

Caike Silva tinha o apelido de "Paquetázinho" no Flamengo

Divulgação/ Instagram @caikesilva10

Há 6 anos, Caike Silva viveu um grande trauma: ele estava no incêndio que matou 10 adolescentes no CT Ninho do Urubu, do Flamengo. Conseguiu sobreviver, mas perdeu colegas e, pouco depois, foi dispensado pelo clube. Mesmo assim conseguiu superar o trauma, virou jogador profissional e foi campeão da Série D de 2025 pelo Barra-SC.

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Quando treinava no Flamengo, Caike era conhecido como "Paquetázinho" por causa do estilo de jogo, que era semelhante ao de Lucas Paquetá, revelado no Rubro-Negro. "Foi um treinador do sub-13 que me deu esse apelido e pegou. Em todo tempo que fiquei lá, foi assim", relembra.

O dia do incêndio

Caike diz que sobreviveu ao incêndio porque conseguiu sair antes do fogo se espalhar demais: "Quando acordei, estava tudo cinza. Não enxergava e só saí correndo. Não tive ferimento, mas foi tenso. Acordei com todo mundo gritando, pedindo para sair do contêiner. Assim que eu saí, o fogo se alastrou bastante".

Ele diz que foi o pior susto da vida e precisou de trabalho psicológico depois do ocorrido. Mas conseguiu ter apoio e se recuperar bem.

Segundo Caike, o Flamengo pagou uma indenização aos sobreviventes logo depois do incêndio. E menos de um ano depois, ele foi dispensado do clube: "O Flamengo anunciou minha saída por telefone, em janeiro. Eu tinha 15 anos e anunciaram que eu estaria dispensado".

Caminho até o profissional

Logo depois da dispensa, aconteceu a pandemia de covid-19. Então Caike ficou sem time, apenas treinando em casa. Até que conseguiu uma oportunidade no XV de Piracicaba, onde ficou por 1 ano e meio. Saiu no começo de 2023.

"Fui descoberto pelo Barra na Copinha. Eu me destaquei e apareceram outras oportunidades. Mas o Barra veio com proposta de compra e aceitei", conta Caike.

Depois de terminar a formação nas categorias de base do Barra, Caike começou a receber chances no elenco principal. Disputou jogos da Copa Santa Catarina inicialmente. Depois atuou também no Campeonato Catarinense e na Série D de 2024. Neste ano, ele não entrou nos jogos da D, mas esteve disponível no banco e levantou o troféu.

Caike acredita que terá mais chances no ano que vem: "Só depende de mim para ser aproveitado no time principal. Vou dar meu melhor. Tenho que me preparar da melhor maneira para fazer um grande ano com essa camisa".

O Barra é um clube formador, que dá muita atenção aos jovens da base. E alguns atletas revelados no clube já tiveram participação importante no título da Série D, como o lateral Kayque e o atacante Saymon.

Outro ponto importante do Barra é o investimento em estrutura. O clube tem sede em Balneário Camboriú e inaugurou um Centro de Treinamento moderno e um estádio na cidade ao lado, Itajaí. Caike exaltou a estrutura do Barra e lembrou do Flamengo:

"O trabalho do Barra na categoria de base é diferenciado. Cuida muito bem dos jogadores. E a estrutura tenho certeza que é comparável com a do Flamengo. Tenho certeza que o Barra vai crescer durante os próximos anos", concluiu.

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