
Rayan Lucas e Felipe Cardoso sobreviveram ao incêndio
Divulgação/ Instagram/ rayan_lucas08/ felipecardoso10
O incêndio no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, do Flamengo, aconteceu há exatamente 6 anos. Dez adolescentes, de 14 a 16 anos, morreram naquele fatídico 8 de fevereiro. Mas outros 16 garotos conseguiram escapar com poucos ferimentos. Eles tentaram seguir carreira no futebol, apesar do trauma. E agora, com aproximadamente 20 anos, alguns conseguem chamar atenção em campo, inclusive com gols nos campeonatos estaduais de 2025.
Poucos sobreviventes do incêndio seguem no Flamengo. Dois deles estão no time principal, o goleiro Dyogo Alves e o volante Rayan Lucas. Já Jhonata Ventura segue trabalhando no clube, mas sem jogar.
Mas a maioria foi dispensada pelo Flamengo cerca de um ano após a tragédia. Buscaram chances em outros clubes. E como ainda são jovens, estão no processo de transição da base para o profissional. Mas Felipe Cardoso já fez gol até contra o Bahia, no Campeonato Baiano, pelo Atlético-BA. E Pablo Ruan fez gols que ajudaram a colocar o Londrina na liderança do Campeonato Paranaense.
Também existe o outro lado: alguns sobreviventes não conseguiram seguir a carreira no futebol e buscam novas alternativas na vida. Conheça as histórias dos 16 sobreviventes.
Dyogo Alves (Flamengo)
O goleiro sofreu ferimentos no incêndio e precisou ficar internado por uma semana. Depois seguiu no Flamengo e foi decisivo em um título do Campeonato Brasileiro sub-20, pegando pênalti contra o Palmeiras. Neste ano, atuou em 4 jogos do time profissional no Campeonato Carioca, enquanto Filipe Luis poupava titulares.
Rayan Lucas (Flamengo)
O volante escapou sem ferimentos do incêndio e se firmou no Flamengo até hoje, integrando o elenco principal atualmente. Também disputou 4 partidas do Campeonato Carioca em 2024 e 2025, quando os técnicos poupavam titulares.
Felipe Cardoso (Atlético-BA)
Felipe estava no quarto onde começou o incêndio, mas conseguiu sair sem ferimentos. Porém, um ano depois da tragédia, foi dispensado das categorias de base do Flamengo. Conseguiu uma oportunidade no Red Bull Bragantino, mas sofreu uma lesão grave no joelho. Em 2024 ele foi para a base do Santa Cruz e conseguiu chances no time principal, fazendo 8 jogos. Também foi emprestado para o Metropolitano e disputou 2 partidas.
Agora, em 2025, Felipe vive um grande ano no Atlético de Alagoinhas-BA: fez 3 gols e deu uma assistência em 6 jogos. Foi eleito o melhor da partida duas vezes, inclusive contra o Bahia. E ainda está feliz na vida pessoal, pois será pai em breve.
Pablo Ruan (Londrina)
Depois do incêndio, Pablo passou pelas categorias de base do Palmeiras e do Atlético-MG. Mas só virou profissional quando chegou ao Londrina, em 2023.
Fez 17 jogos em 2024, quase sempre entrando no 2º tempo, e tem virado titular em 2025, com 2 gols e 2 assistências em 8 jogos. O Londrina é líder do Paranaense.
Samuel Barbosa Costa (Azuriz)
Atacante de 22 anos, Samuel saiu do Flamengo em 2021 e virou profissional em 2023, pelo Itapirense. Depois jogou pelo Guarulhos e chegou ao Azuriz em 2024. Chegou a ser emprestado para Flamengo-SP e Paracatu, mas agora voltou ao Azuriz e disputou 3 jogos do Paranaense. Inclusive enfrentou Pablo Ruan na última quarta-feira (5).
Caike (Barra)
Caike era conhecido como "Paquetázinho", por ser um meio-campista parecido com Lucas Paquetá, revelado no Flamengo. Ele tinha chegado no CT poucos dias antes da tragédia e saiu sem ferimentos. Mas precisou passar por tratamento psicológico para se recuperar.
A carreira seguiu longe do Flamengo. Após 2 anos no XV de Piracicaba, ele foi para o Barra, time novo de Balneário Camboriú. Já estreou no time profissional e busca mais espaço, aos 20 anos.
Cauan Gomes (Maranguape)
O meia Cauan ficou ferido na época do acidente porque quebrou uma janela para ajudar os amigos. Depois ficou no hospital, recebeu visitas e se recuperou aos poucos. Saiu do Flamengo para voltar à terra natal, Fortaleza.
Jogou na base do próprio Fortaleza e virou profissional no Riostrense. Depois foi para o Ferroviário, disputou Copinha e foi campeão da Taça Fares Lopes de 2024. Agora vai jogar pelo Maranguape, da segunda divisão cearense.
Kennyd Lucas (Nova Iguaçu)
Kenyd só se salvou na tragédia porque pediu para dormir fora do contêiner naquele noite. Ele ficou em uma casa no CT e viu tudo, mas escapou.
Depois voltou para a terra natal, Mato Grosso, e virou profissional no Cuiabá. Foi contrato pelo Goiás e emprestado ao Porto B em 2024. Voltou neste ano e tem disputado o Campeonato Carioca pelo Nova Iguaçu. Soma 3 jogos até agora.
Kayque Campos (Khorfakkan)
Kayque contou, em 2019, que quase foi dormir no quarto onde três adolescentes morreram. Mudou de ideia e se salvou. Zagueiro alto, ele ficou no Fla até 2021, quando recebeu proposta dos Emirados Árabes. Aos 21 anos, já jogou por 4 times do país e atualmente está no Khorfakkan.
Jean Sales (Santa Clara-POR)
O atacante Jean, de 22 anos, é outro sobrevivente que está jogando fora do Brasil. Ele saiu do Flamengo em 2020 e partiu para o Alverca, onde virou profissional. Depois foi contratado pelo Santa Clara e atualmente defende o time B, sub-23.
Wendel Alves (sem clube)
O atacante de 20 anos passou por Corinthians, Inter e Goiás nas categorias de base. Mas por enquanto não anunciou clube para defender em 2025.
Filipe Chrysman (sem clube)
Filipe também é atacante e ficou no Flamengo até 2021. Depois foi para o Guarani, virou profissional e já passou também por São Bento, Central e Araruama. Ainda não acertou com um time para 2025.
João Vitor Gasparin Torrezan (sem clube)
João Vitor é paranaense, voltou para a terra natal e não conseguiu chances no futebol profissional. O último registro dele no futebol é que jogou no Trieste, clube amador de Curitiba, aos 19 anos.
Gabriel de Castro Ribeiro (sem clube)
Gabriel estava fazendo testes no Flamengo quando aconteceu o incêndio. Depois ele não seguiu no clube e atualmente joga futebol amador em Franca-SP.
Naydjel Callebe Boroski (futsal)
Alojado há poucos dias no Ninho do Urubu, Naydjel foi aprovado e seguiu no FLamengo até 2020. Depois foi dispensado, fez testes em outros clubes e voltou para o Paraná. Tenta seguir carreira no futsal, mas sofreu uma lesão grave no joelho.
Jhonata Ventura (mudou de carreira)
Jhonata teve 30% do corpo queimado, ficou 2 meses internado, passou por 3 cirurgias e teve dificuldades para voltar a jogar. Em 2023 ele desistiu de ser atleta e passou a integrar a equipe de scout do Flamengo, nas categorias de base. Ou seja, agora ele procura jovens talentos para o clube. Também está cursando faculdade de educação física.
Vítimas, indenização e processo criminal
Recentemente o Flamengo anunciou que entrou em acordo para indenizar todas famílias de adolescentes que morreram no incêndio. Faltava apenas uma, que tinha decidido entrar na Justiça, mas agora se entendeu com o clube.
Porém, o processo criminal do caso não teve conclusão até agora. Ele está em andamento no Tribunal de Justiça do Rio, já teve audiências, mas ainda não há previsão para a sentença.
Sete pessoas são réus por incêndio culposo: Marcelo Sá, engenheiro do Flamengo; Márcio Garotti, ex-diretor financeiro do Flamengo; Claudia Pereira Rodrigues, Weslley Gimenes, Danilo da Silva Duarte e Fabio Hilário da Silva, da empresa que forneceu os contêineres, NHJ; e Edson Colman da Silva, técnico em refrigeração.
As 10 vítimas do caso tinham entre 14 e 16 anos:
Athila Paixão, 14 anosArthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anosBernardo Pisetta, 14 anosChristian Esmério, 15 anosGedson Santos, 14 anosJorge Eduardo Santos, 15 anosPablo Henrique da Silva Matos, 14 anosRykelmo de Souza Vianna, 16 anosSamuel Thomas Rosa, 15 anosVitor Isaías, 15 anos
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