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Veja o que aconteceu com os sobreviventes do incêndio no Ninho do Urubu

Dos 16 jovens que passaram pelo trauma, a maioria está se firmando no futebol profissional agora

Allan Brito
ALLAN BRITO

22/10/2025 • 18:02 • Atualizado em 22/10/2025 • 18:02

Rayan Lucas e Felipe Cardoso sobreviveram ao incêndio

Rayan Lucas e Felipe Cardoso sobreviveram ao incêndio

Divulgação/ Instagram/ rayan_lucas08/ felipecardoso10

A Justiça não encontrou culpados para o incêndio no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, do Flamengo. Mas os traumas são inegáveis: 10 adolescentes morreram na tragédia. E outros 16 sobreviveram, mas precisam lidar com dificuldades psicológicas e consequências nas carreiras. Alguns deles conseguiram seguir no futebol e estão se firmando entre profissionais. Outros já desistiram.

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Poucos sobreviventes do incêndio seguem no Flamengo. O goleiro Dyogo Alves é um dos reservas. E o volante Rayan Lucas está emprestado. Já Jhonata Ventura segue trabalhando no clube, mas sem jogar.

A maioria dos sobreviventes foi dispensada no mesmo ano, em 2019. Alguns ficaram até 2021 e depois saíram também. Agora eles têm pelo menos 20 anos e alguns estão se destacando, com títulos e negociações com o exterior.

Conheça o paradeiro dos 16 sobreviventes:

Dyogo Alves: reserva do Flamengo

O goleiro sofreu ferimentos no incêndio e precisou ficar internado por uma semana. Depois seguiu no Flamengo e foi decisivo em um título do Campeonato Brasileiro sub-20, pegando pênalti contra o Palmeiras. Neste ano, atuou em 4 jogos do time profissional no Campeonato Carioca, enquanto Filipe Luis poupava titulares. Já foi relacionado para partidas do Campeonato Brasileiro, mas não entrou.

Rayan Lucas: emprestado pelo Flamengo

O volante escapou sem ferimentos do incêndio e virou profissional no Flamengo. Disputou 8 partidas do Campeonato Carioca, entre 2024 e 2025. Recentemente foi emprestado para o Sporting, de Portugal, e ainda busca espaço no time principal.

Caike: campeão da Série D

Caike era conhecido como "Paquetázinho", por ser um meio-campista parecido com Lucas Paquetá, revelado no Flamengo. Ele saiu do CT sem ferimentos, mas precisou passar por tratamento psicológico para se recuperar.

A carreira seguiu longe do Flamengo. Após 2 anos no XV de Piracicaba, Caike foi para o Barra, time novo de Balneário Camboriú. Estreou no time profissional em 2024 e integrou o elenco que foi campeão da Série D em 2025. Recentemente, em entrevista ao Band.com.br, ele falou como superou o trauma e disse estar animado com a estrutura do Barra.

"O trabalho do Barra na categoria de base é diferenciado. Cuida muito bem dos jogadores. E a estrutura tenho certeza que é comparável com a do Flamengo. Tenho certeza que o Barra vai crescer durante os próximos anos", contou Caike.

Pablo Ruan: destaque no Brasil e venda para Europa

Depois do incêndio, Pablo passou pelas categorias de base do Palmeiras e do Atlético-MG. Mas só virou profissional quando chegou ao Londrina, em 2023. Começou a se destacar em 2024 e, na metade deste ano, foi negociado: o Nacional da Madeira pagou 700 mil euros para contratá-lo. Ele disputou 6 partidas no Campeonato Português desta temporada.

Felipe Cardoso: reserva do Vitória

Felipe estava no quarto onde começou o incêndio, mas conseguiu sair sem ferimentos. Porém, um ano depois da tragédia, foi dispensado das categorias de base do Flamengo. Partiu para o RB Bragantino, mas sofreu uma lesão grave no joelho. Quando se recuperou, passou por Santa Cruz e Metropolitano, sem tanto destaque.

Em 2025, Felipe viveu a melhor fase da carreira até agora: foi revelação do Campeonato Baiano pelo Atlético de Alagoinhas-BA, com 3 gols e 1 assistência em 6 jogos. Por isso foi contratado pelo Vitória, mas não conseguiu muito espaço. Disputou apenas 4 jogos saindo do banco de reservas.

Samuel Costa: jovem, mas experiente

O atacante Samuel ficou no sub-20 do Flamengo até 2021, mas só virou profissional depois que saiu. Aos 23 anos, virou um “jovem experiente”, com passagens em vários times: Itapirense, Guarulhos, Flamengo-SP, Paracatatu e Azuriz. Agora está no Gaúcho, disputando a Copa FGF.

Cauan Gomes: campeão no Ceará

O meia Cauan ficou ferido na época do acidente, porque quebrou uma janela para ajudar os amigos. Depois ficou no hospital, recebeu visitas e se recuperou aos poucos. Saiu do Flamengo para voltar à terra natal, Fortaleza.

Jogou na base do próprio Fortaleza e virou profissional no Riostrense. Depois foi para o Ferroviário, disputou Copinha e foi campeão da Taça Fares Lopes de 2024. Em 2025, jogou pelo Maranguape, na segunda divisão cearense.

Kennyd Lucas: no Bahrein

Kenyd se salvou da tragédia porque pediu para dormir fora do contêiner naquele noite. Ele ficou em uma casa dentro do CT e viu tudo, mas escapou.

Depois voltou para a terra natal, Mato Grosso, e virou profissional no Cuiabá. Foi contrato pelo Goiás e emprestado ao Porto B em 2024. Voltou ao Brasil em 2025 e disputou o Campeonato Carioca pelo Nova Iguaçu, mas já foi para o exterior de novo: assinou com o Sitra Club, do Bahrein.

Kayque Campos: nos Emirados

Em 2019, Kayque contou que quase foi dormir no quarto onde três adolescentes morreram. Mudou de ideia e se salvou.

Zagueiro alto, ele ficou no Fla até 2021, quando recebeu proposta dos Emirados Árabes. Aos 21 anos, já jogou por 4 times do país e atualmente está no Khorfakkan.

Jean Sales: em Portugal

O atacante Jean, de 22 anos, é outro sobrevivente que está jogando fora do Brasil. Ele saiu do Flamengo em 2020 e partiu para o Alverca, onde virou profissional. Depois foi contratado pelo Santa Clara e atualmente defende o time B, que é sub-23.

Wendel Alves: no Paraná

O atacante de 20 anos passou por Corinthians, Inter e Goiás nas categorias de base. Em 2025, virou profissional na segunda divisão do Campeonato Paranaense, jogando pelo Nacional.

Filipe Chrysman: em Minas Gerais

Filipe também é atacante e ficou no Flamengo até 2021. Depois foi para o Guarani, virou profissional e já passou também por São Bento, Central e Araruama. Em 2025, jogou nas divisões de acesso do Campeonato Mineiro, pelo Democrata de Sete Lagoas e pelo Essube.

João Vitor Gasparin Torrezan: sem clube

João Vitor é paranaense, voltou para a terra natal e não conseguiu chances no futebol profissional. O último registro dele no futebol é que jogou no Trieste, clube amador de Curitiba, aos 19 anos.

Gabriel de Castro Ribeiro: sem clube

Gabriel estava fazendo testes no Flamengo quando aconteceu o incêndio. Depois ele não seguiu no clube e atualmente joga futebol amador em Franca-SP.

Naydjel Callebe Boroski: futsal

Alojado há poucos dias no Ninho do Urubu, Naydjel foi aprovado e seguiu no FLamengo até 2020. Depois foi dispensado, fez testes em outros clubes e voltou para o Paraná. Está tentando seguir carreira no futsal e sofreu uma lesão grave no joelho, mas se recuperou e joga pela AACC. Também foi campeão amador de futebol pela AABB.

Jhonata Ventura: mudou de carreira

Jhonata teve 30% do corpo queimado, ficou 2 meses internado, passou por 3 cirurgias e teve dificuldades para voltar a jogar. Em 2023 ele desistiu de ser atleta e passou a integrar a equipe de scout do Flamengo, nas categorias de base - ou seja, agora ele procura jovens talentos para o clube. Também está cursando faculdade de educação física.

Vítimas, indenização e processo criminal

Recentemente o Flamengo anunciou que entrou em acordo para indenizar todas famílias de adolescentes que morreram no incêndio. Faltava apenas uma, que tinha decidido entrar na Justiça, mas agora se entendeu com o clube.

As 10 vítimas do caso tinham entre 14 e 16 anos:

Athila Paixão, 14 anosArthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anosBernardo Pisetta, 14 anosChristian Esmério, 15 anosGedson Santos, 14 anosJorge Eduardo Santos, 15 anosPablo Henrique da Silva Matos, 14 anosRykelmo de Souza Vianna, 16 anosSamuel Thomas Rosa, 15 anosVitor Isaías, 15 anos

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