
Prestianni discute com Vini Jr. em jogo do Benfica contra Real Madrid
REUTERS/Pedro Nunes
Resumo
Decisão da Uefa impede a aplicação da regra da Fifa que prevê expulsão imediata de jogadores que cobrem a boca durante discussões em campo nas competições organizadas pela entidade europeia, como Champions League e Eurocopa.
Origem da chamada "Lei Vini Jr." está em caso de supostos insultos racistas durante jogo da Champions League, levando a Fifa a adotar a regra para combater falas discriminatórias, resultando em expulsões como as de Miguel Almirón e Piero Hincapié na Copa do Mundo.
Orientação da Uefa recomenda uso de bom senso por parte dos árbitros, com aplicação de cartão amarelo em casos de tentativa de ocultar comunicação, mas mantém possibilidade de investigações e punições disciplinares após análise posterior dos episódios.
A regra da Fifa que prevê a expulsão de um jogador que cobrir a boca durante uma discussão no campo não será aplicada nas competições da Uefa. A decisão da entidade europeia foi anunciada nesta quinta-feira (2) para as suas federações filiadas, e é válida para os campeonatos organizados por ela, como a Champions League, Europa League, Eurocopa e Liga das Nações.
Enquanto a Uefa recusa a medida, a chamada "Lei Vini Jr." tem sido ativamente utilizada durante a Copa do Mundo, que está sendo disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
Origem da regra e aplicação na Copa do Mundo
O apelido "Lei Vini Jr." surgiu em uma partida da Champions League. Na ocasião, o atacante brasileiro do Real Madrid acusou Gianluca Prestianni, do Benfica, de cometer insultos racistas. No momento das ofensas, o atleta da equipe portuguesa colocou a mão na própria boca. Por conta dos atos ofensivos daquele episódio, Gianluca Prestianni foi punido com seis jogos de gancho.
A regra foi formalmente adotada pela Fifa para impedir que falas discriminatórias passem despercebidas durante discussões dentro de campo. Sua aplicação já gerou punições severas no Mundial:
- Expulsões: O atacante Miguel Almirón, do Paraguai, e o zagueiro Piero Hincapié, do Equador, foram expulsos após a aplicação da norma.
- Absorvição: Jude Bellingham, da Inglaterra, não recebeu o cartão vermelho. A arbitragem da partida contra Gana considerou que a conversa com Jordan Ayew não representou um ato hostil.
A postura da UEFA e as punições disciplinares
Na contramão da Fifa, a Uefa irá orientar os árbitros a usarem o "bom senso" nesses casos em suas competições. Com isso, não existe a obrigatoriedade de ser aplicado o cartão vermelho direto a um jogador.
A recomendação da entidade europeia prevê que:
O cartão amarelo deve ser usado quando o atleta "tentar ocultar a comunicação como um ato de conduta antidesportiva".
A recusa da aplicação automática da punição, no entanto, não significa que eventuais investigações disciplinares deixem de acontecer após episódios semelhantes. Os órgãos responsáveis da Uefa analisarão os casos posteriormente para punir atos racistas e discriminatórios.
Com informações da Estadão Conteúdo
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