Esporte na Band

O retorno da NHL às Olimpíadas de Inverno: o impacto em Milão-Cortina 2026

A reintegração da elite do hóquei no gelo ao cenário olímpico promete elevar o nível técnico e a audiência global do evento após uma década de ausência

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 15:40 • Atualizado em 29/01/2026 • 15:40

Jogadores do time Anaheim Ducks e do Tampa Bay Lightning durante disputa em Anaheim, Califórnia

Jogadores do time Anaheim Ducks e do Tampa Bay Lightning durante disputa em Anaheim, Califórnia

Gary A. Vasquez/Reuters

A confirmação oficial de que os atletas da National Hockey League participarão dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d'Ampezzo, marca um ponto de inflexão na história recente do esporte.

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O anúncio, realizado em conjunto pela liga, pela Associação de Jogadores da NHL (NHLPA) e pela Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF), encerra um hiato que perdurava desde 2014. A ausência dos melhores jogadores do mundo nas edições de PyeongChang (2018) e Pequim (2022) gerou debates sobre a legitimidade técnica dos torneios, tornando a volta desses profissionais uma questão central para o prestígio da medalha de ouro e para a nova geração de superestrelas.

O complexo histórico entre a liga e o Comitê Olímpico

A relação entre a principal liga de hóquei do mundo e o Comitê Olímpico Internacional (COI) sempre foi pautada por interesses comerciais, logística de calendário e custos de seguro. Durante grande parte do século XX, o torneio era restrito a amadores, o que excluía os profissionais da National Hockey League, mas beneficiava atletas do bloco soviético, que eram militares mas atuavam como profissionais de fato.

A dinâmica mudou em 1998, em Nagano, com a estreia dos jogadores da liga americana após a paralisação da temporada regular. Entre 2002 e 2014, viveu-se a "era de ouro" dessa parceria, com o Canadá vencendo três de quatro edições. Contudo, em 2018, a National Hockey League recusou a liberação citando falta de contrapartidas financeiras e fuso horário desfavorável. Já em 2022, a pandemia de COVID-19 forçou um novo desajuste no calendário, impedindo a participação dos astros.

A importância técnica e o formato "best-on-best"

A relevância do retorno em 2026 reside no conceito de "best-on-best" (melhor contra melhor). Sem a elite da National Hockey League, o torneio olímpico tornava-se uma competição de nível secundário, formada por jogadores de ligas europeias ou universitárias. A validação competitiva em Milão-Cortina 2026 garante que a medalha de ouro volte a ser o título indiscutível de supremacia mundial, permitindo que talentos geracionais como Connor McDavid e Auston Matthews façam suas estreias olímpicas. Além disso, seleções como Finlândia, Suécia e Estados Unidos ganham força para equilibrar a hegemonia canadense.

Regras e ajustes logísticos para Milão-Cortina 2026

Para viabilizar o evento, a temporada da liga será paralisada em fevereiro. Um dos pontos cruciais de adaptação será o tamanho da pista: embora o gelo internacional seja tradicionalmente mais largo, a IIHF sinalizou o uso das medidas da National Hockey League (60x26m) para 2026, visando aumentar a velocidade e o contato físico. Outras adaptações envolvem regras de infrações como o icing e punições mais rigorosas para brigas, que na federação internacional resultam em expulsão imediata. O formato deve seguir com 12 equipes divididas em três grupos, com os melhores avançando direto às quartas de final.

Projeção de potências e estrelas no gelo

O cenário para 2026 apresenta um favoritismo dividido entre as grandes nações. O Canadá segue como potência histórica, contando com nomes como Nathan MacKinnon e Cale Makar. Os Estados Unidos chegam com sua geração mais talentosa em décadas, liderada pelos irmãos Quinn e Jack Hughes. A Suécia aposta na excelência defensiva de Victor Hedman e Rasmus Dahlin, enquanto a Finlândia, atual campeã olímpica, confia no jogo coletivo de Aleksander Barkov e Mikko Rantanen.

Curiosidades e o legado do hóquei olímpico

A história da modalidade nas Olimpíadas é marcada por momentos icônicos, como o "Golden Goal" de Sidney Crosby em Vancouver 2010, o evento mais assistido da história do Canadá. Outro destaque é a longevidade do finlandês Teemu Selänne, recordista de pontos no torneio com seis participações. Em 2026, a trégua temporária entre rivais de clubes que se tornam parceiros de seleção — e vice-versa — voltará a criar narrativas únicas. Ao assegurar que os melhores talentos do planeta disputem o ouro, a comunidade do hóquei valida a integridade esportiva do torneio e oferece um espetáculo máximo de habilidade e estratégia.

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