Resumo
Justiça do Rio de Janeiro absolveu acusados pelo incêndio que matou dez jovens atletas do Flamengo em 2019, decisão criticada pelo apresentador Craque Neto.
Craque Neto expressou indignação no programa "Os Donos da Bola", destacando a falta de responsabilização e apontando falhas no sistema judiciário brasileiro em relação à proteção de jovens atletas.
Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu prometeu recorrer da decisão, enfatizando o sentimento de impunidade e a necessidade de justiça para as vítimas e suas famílias.
Craque Neto fez um longo discurso no Os Donos da Bola desta quarta-feira (22), ao comentar a absolvição dos réus acusados pela tragédia no Ninho do Urubu. A Justiça do Rio de Janeiro decidiu absolver todos os acusados pelo incêndio que, em 2019, matou dez jogadores da base do Flamengo. Revoltado, o apresentador classificou a decisão como “injusta” e afirmou que “ninguém foi responsabilizado por destruir dez famílias”.
“Não tem clubismo. Não é porque é o Flamengo. Se fosse o Corinthians, o Coritiba, o São Paulo, eu falaria da mesma forma. Dez crianças morreram queimadas dentro de contêineres, e ninguém foi preso. Isso é inacreditável”, declarou Neto.
O ex-jogador exibiu fotos das vítimas no telão e se referiu a cada uma delas pelo nome. Ele lembrou que os jovens estavam de folga no dia do incêndio e que o caso poderia ter sido ainda mais grave. “Era folga. Muitos tinham ido embora. Se todos estivessem lá, o fogo teria matado cinquenta”, afirmou.
Um país de injustiça
Neto direcionou críticas ao sistema judiciário brasileiro e disse que o caso representa a desigualdade do país. “Se fosse o filho de um senador, de um deputado, de um presidente de clube, todo mundo já estaria preso. Mas como eram meninos pobres, negros, filhos de trabalhadores, nada acontece”, afirmou.
O apresentador também questionou o comportamento do futebol diante da decisão. “Quero saber se os ex-jogadores e os jogadores atuais estão indignados. Vocês abraçaram o Maracanã, por que não abraçam o Flamengo agora? Por que não se pronunciam?”, perguntou, cobrando empatia do meio esportivo.
Em outro momento, Neto criticou o argumento usado na sentença da 36ª Vara Criminal, assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, de que não há provas suficientes para condenar os réus. “Como não tem prova? Como não tem culpa? Então por que o Ministério Público não pediu mais investigação? Dez crianças morreram e o juiz diz que não dá pra culpar ninguém?”, questionou.
“Vocês mataram eles”
Neto afirmou que a tragédia destruiu não apenas as vidas das vítimas, mas também as de suas famílias.
“Vocês mataram o Átila, o Arthur, o Bernardo, o Christian, o Gedson, o Jorge Eduardo, o Pablo Henrique, o Rykelmo, o Samuel e o Vítor. Dez anjos. E ninguém é responsável. Vocês destruíram famílias. Não existe dinheiro que pague a vida de um filho.”
O apresentador ainda comparou a lentidão do processo judicial com a agilidade dos clubes para lidar com questões financeiras. “Para contratar jogador de cinco milhões por mês, paga rápido. Para mandar treinador embora e pagar cinquenta milhões, paga rápido. Mas para pagar as famílias, demorou anos. Isso é uma vergonha”, disse.
Repercussão e indignação das famílias
A decisão da Justiça foi publicada na terça-feira (21) e absolveu sete dos onze réus, enquanto outros quatro já haviam sido retirados do processo. O juiz afirmou não ser possível estabelecer relação direta entre as condutas dos acusados e o incêndio, que teria começado após um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado.
A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu) divulgou uma carta pública em repúdio à decisão, classificando-a como “uma grave afronta à memória das vítimas e ao sentimento de toda a sociedade”. O grupo promete recorrer e seguir cobrando justiça.
No documento, os familiares lembram que os jovens dormiam em contêineres improvisados, sem alvará, com falhas elétricas e janelas gradeadas, o que impediu a fuga. “A absolvição renova o sentimento de impunidade e fragiliza o mecanismo de proteção à vida e à segurança dos menores em entidades esportivas”, afirma o texto.
Tragédia que marcou o futebol brasileiro
O incêndio no centro de treinamento do Flamengo aconteceu em 8 de fevereiro de 2019, matando dez jovens atletas: Átila Paixão, Arthur Vinícius, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique, Rykelmo de Souza, Samuel Thomas Rosa e Vítor Isaías.
Em julgamentos trabalhistas paralelos, o Flamengo foi condenado a indenizar algumas famílias e profissionais que atuaram no resgate. O clube mantém o compromisso de apoio psicológico e financeiro aos parentes das vítimas.
Não perca nenhum lance!
Leia o melhor do esporte de graça, direto no seu e-mail
Selecione os seus temas favoritos:

