Esporte na Band

Justiça aceita pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo

Decisão suspende bloqueios de bens e penhoras por dívida bilionária; clube tem 60 dias para apresentar plano de reestruturação financeira

Da redação
DA REDAÇÃO

15/05/2026 • 15:23 • Atualizado em 15/05/2026 • 17:38

John Textor, proprietário da SAF do Botafogo

John Textor, proprietário da SAF do Botafogo

Vítor Silva/Botafogo

Resumo

Decisão judicial autorizou a recuperação judicial da SAF do Botafogo, iniciando oficialmente o processo de reorganização financeira do clube, com reconhecimento de dívida total estimada em R$ 2,5 bilhões, sendo R$ 1,28 bilhão incluído diretamente no processo.

Mecanismo de proteção “stay period” foi concedido, suspendendo execuções, cobranças e bloqueios de bens, além de permitir busca por financiamento DIP para manutenção das operações, com Eduardo Iglesias confirmado como gestor judicial e Eagle Football Holdings mantida sem direitos políticos.

Prazo de até 60 dias foi estabelecido para apresentação do plano de recuperação, com 15 dias para credores habilitarem créditos após publicação do edital, enquanto diretoria busca preservar atividades, ativos essenciais e enfrenta transfer ban imposto pela Fifa.

A SAF do Botafogo deu um passo determinante para o seu futuro fora das quatro linhas. Na madrugada desta sexta-feira (15), o juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro, aceitou o pedido de recuperação judicial do clube, dando início oficial ao processo de reorganização financeira da instituição.

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Entenda os valores da dívida do Botafogo

No documento oficial, a Justiça reconhece que o passivo total estimado do Botafogo atinge a marca de R$ 2,5 bilhões. Deste montante bilionário, aproximadamente R$ 1,28 bilhão está diretamente incluído no processo de recuperação judicial que passa a tramitar a partir de agora.

O clube já contava com medidas cautelares desde o fim de abril, mas a nova decisão estabelece formalmente as regras, obrigações e os prazos que a SAF precisará cumprir ao longo dos próximos meses.

Proteção contra penhoras e novo gestor

Com a aprovação, o Botafogo passa a contar com o mecanismo do "stay period", que interrompe temporariamente execuções, cobranças, ações de bloqueio e penhora de bens enquanto a reestruturação estiver em andamento. A decisão impede o vencimento antecipado de dívidas e autoriza a busca por financiamento no modelo DIP (Debtor-in-Possession), permitindo que o clube mantenha suas operações normais.

Os bastidores políticos e administrativos também tiveram definições importantes:

Gestão Judicial: Eduardo Iglesias foi confirmado como o gestor judicial da SAF. O nome foi definido em assembleia após a recusa de Durcesio Mello.

Eagle Football Holdings: A Justiça manteve a suspensão dos direitos políticos da empresa ligada a John Textor. Com isso, o Botafogo Associativo segue responsável pelo controle da estrutura administrativa e pela indicação do gestor.

Próximos passos e prazos do processo

A partir de agora, a SAF do Botafogo tem um prazo de até 60 dias para apresentar um plano detalhado de recuperação financeira. Paralelamente, após a publicação do edital contendo a relação de credores, os envolvidos no processo terão 15 dias para habilitar seus respectivos créditos.

A diretoria acionou a Justiça sob o argumento de proteger as atividades do clube e preservar ativos essenciais, como o elenco de jogadores e receitas futuras. O Botafogo enfrenta forte pressão financeira e convive com pendências graves, que incluem até mesmo o transfer ban imposto pela Fifa.

Com informações da Estadão Conteúdo