Esporte na Band

Ski Mo: a nova modalidade de 2026 e o desafio do esqui de montanha

A fusão entre alpinismo e esqui alpino estreia nos Jogos de Milão-Cortina prometendo provas de alta intensidade e transições técnicas

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 17:24 • Atualizado em 29/01/2026 • 17:24

Os irmãos gêmeos Robin e Thomas Bussard durante treino na Suíça

Os irmãos gêmeos Robin e Thomas Bussard durante treino na Suíça

Denis Balibouse/Reuters

O esqui de montanha, conhecido internacionalmente como "Ski Mo", representa o retorno às origens do deslocamento na neve, mas com uma roupagem de alta performance. A confirmação da modalidade no programa olímpico de 2026, em Milão-Cortina, marca um momento histórico para a Federação Internacional de Esqui de Montanha (ISMF).

Compartilhar

Diferente do esqui alpino, focado apenas na descida, ou do cross-country, realizado em terrenos planos, o Ski Mo exige que o atleta suba encostas íngremes com a própria força e desça em terrenos naturais, dominando completamente o ambiente alpino.

Origem militar e a evolução para o esporte de elite

As raízes do esqui de montanha são pragmáticas, antecedendo o esporte recreativo moderno. A necessidade de se deslocar em terrenos nevados sem afundar levou ao desenvolvimento de técnicas que permitiam a ascensão.

O primeiro registro competitivo foi a "Patrulha Militar", que chegou a figurar como demonstração em Chamonix (1924). O esporte consolidou-se na Europa Central com provas icônicas como a Pierra Menta e o Trofeo Mezzalama, e o sucesso nos Jogos da Juventude de Lausanne (2020) foi o passo definitivo para sua inclusão nos Jogos de Inverno de 2026.

Como funciona o Ski Mo: Subida, portage e descida

O sucesso no esqui de montanha depende da eficiência em três fases distintas e, principalmente, da agilidade nas "transições". Os atletas fixam peles sintéticas na base dos esquis para permitir a ascensão sem deslizar para trás. Em trechos extremamente íngremes ou rochosos, ocorre o portage (ou bootpacking), onde os competidores devem carregar os esquis na mochila e subir a pé. Por fim, após atingir o cume, eles ajustam o equipamento para o modo de descida, enfrentando terrenos não preparados com neve profunda ou irregular.

Formatos olímpicos e a dinâmica em Milão-Cortina 2026

Para a estreia em 2026, o Comitê Olímpico Internacional (COI) priorizou formatos dinâmicos e televisivos. Serão disputadas três medalhas de ouro:

  • Sprint (Masculino e Feminino): A prova mais curta e explosiva, com duração de 3 a 4 minutos. Condensa todas as etapas do esporte — subida, trecho a pé e descida técnica — em baterias eliminatórias de alta intensidade.
  • Revezamento Misto: Equipes formadas por um homem e uma mulher, onde cada atleta completa o circuito de Sprint duas vezes, exigindo estratégia e rápida recuperação física.

Potências mundiais e exigência fisiológica

O cenário é dominado pelas nações alpinas como Suíça, França e Itália, que possuem geografia favorável e tradição no treinamento. Nomes como o suíço Rémi Bonnet e a francesa Emily Harrop são as referências atuais. Fisiologicamente, o Ski Mo é um dos esportes mais exigentes do mundo; o VO2 máx dos atletas de elite é comparável ao de maratonistas e remadores olímpicos.

A tecnologia também evoluiu: botas de carbono pesam apenas 500g cada, e os esquis utilizam núcleos ultraleves. A inclusão da modalidade moderniza os Jogos, atraindo o público focado em aventura e sustentabilidade, já que o Ski Mo é um esporte de baixo impacto ambiental, baseado inteiramente na propulsão humana em meio à natureza das Dolomitas italianas.

Tópicos relacionados