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Sustentabilidade em Milão-Cortina 2026: o fim das obras faraônicas

A edição italiana aposta na reutilização de 90% das instalações para evitar gastos excessivos e o surgimento de arenas abandonadas

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 16:18 • Atualizado em 29/01/2026 • 16:18

Anéis olímpicos cobertos de neve em Cortina d'Ampezzo, Itália

Anéis olímpicos cobertos de neve em Cortina d'Ampezzo, Itália

Claudia Greco/Reuters

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 marcam um ponto de virada para o movimento olímpico ao priorizar a gestão econômica e ambiental. Diferente de edições passadas, frequentemente lembradas por construções gigantescas que se tornaram "elefantes brancos", a candidatura da Itália venceu com a promessa de utilizar infraestruturas que já operam regularmente.

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O objetivo central é que mais de 90% dos locais de competição sejam estruturas existentes ou temporárias, alinhando-se à Agenda 2020+5 do COI, que determina que o evento deve se adaptar ao território, e não o contrário.

Mudança de paradigma e a "Nova Norma"

Historicamente, sediar as Olimpíadas exigia obras massivas em parques centrais, gerando desperdício de recursos e impactos ambientais negativos. Milão-Cortina 2026 surge como a primeira edição de inverno a aplicar integralmente a "Nova Norma" do COI.

Ao dividir a responsabilidade entre Milão, Cortina d'Ampezzo e as regiões da Lombardia, Vêneto, Trento e Bolzano, a organização busca a infraestrutura onde ela já existe, descentralizando o evento para evitar intervenções urbanas desnecessárias. O foco deixa de ser a arquitetura monumental para priorizar a eficiência operacional e o baixo impacto de carbono.

Estratégia de reutilização e logística de transporte

A estratégia italiana baseia-se em três pilares: o uso de arenas existentes, a montagem de estruturas temporárias recicláveis e, em último caso, novas construções financiadas pela iniciativa privada com uso garantido pós-jogos.

Como as sedes estão espalhadas por mais de 22 mil quilômetros quadrados, o desafio migrou da engenharia civil para a logística. A conectividade ferroviária e rodoviária tornou-se o pilar central, incentivando o transporte coletivo elétrico para manter a pegada de carbono reduzida ao longo dos 400 quilômetros que separam as cidades principais.

Mapeamento das sedes e arenas principais

A execução desse plano de sustentabilidade é visível na escolha dos locais de prova. Em Milão, o histórico estádio San Siro receberá a abertura, enquanto o complexo Fiera Milano Rho será adaptado para a patinação e o hóquei. A única grande obra permanente na cidade é o PalaItalia Santa Giulia, que servirá como arena multiuso para eventos futuros.

Nas montanhas, a pista Olympia delle Tofane, que já recebe anualmente a Copa do Mundo, e o Estádio Olímpico de Gelo, construído para os Jogos de 1956, são os grandes destaques de reaproveitamento. Outros centros de referência mundial, como a Arena Alto Adige para o biatlo e os trampolins de Predazzo, passarão apenas por modernizações técnicas. Para encerrar o ciclo, o anfiteatro romano Arena de Verona simboliza o ápice da reutilização de patrimônio histórico.

Controvérsias e os desafios climáticos

Apesar do foco ecológico, o projeto não está isento de críticas. A reconstrução da histórica pista de bobsleigh Eugenio Monti, em Cortina d'Ampezzo, gerou debates sobre custos e desmatamento, sendo o ponto de maior atrito com ambientalistas. Além disso, a dependência de neve artificial devido às mudanças climáticas exige sistemas de bombeamento de alta eficiência para não comprometer as metas de sustentabilidade hídrica e energética.

Um laboratório para o futuro olímpico

Milão-Cortina 2026 funciona como um teste em tempo real: se for bem-sucedida, a organização validará o modelo de jogos sustentáveis e descentralizados. Ao integrar o legado cultural de 70 anos atrás com inovações como o logotipo "Futura", escolhido por votação digital, a Itália tenta provar que a era das construções monumentais acabou, dando lugar a uma adaptação racional e necessária aos recursos do planeta.

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