Esporte na Band

Técnico de Ryan Francisco na várzea chora e revela como descobriu craque 'gelado' do São Paulo

Parceiro de Endrick no início, 'Ryanzinho' sempre foi decisivo e acanhado em tempos de Coroa

Lucas Lima
LUCAS LIMA

24/01/2025 • 17:36 • Atualizado em 24/01/2025 • 17:36

Ryan foi o herói do São Paulo na semi da Copinha

Ryan foi o herói do São Paulo na semi da Copinha

Guilherme Veiga/Saopaulofc.net

Artilheiro e herói do São Paulo na Copa São Paulo de Futebol Jr, o atacante Ryan Francisco tem uma história em comum com outros grandes jogadores do futebol brasileiro que hoje brilham nos principais campeonatos da Europa: foi descoberto pelo Centro da Coroa.

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Localizado na Vila Guilherme, zona norte paulista, o ‘Coroa’, como carinhosamente é chamado por aqueles que o frequentam, é um time formador que disputa a várzea mirim paulista.

Celeiro de craques como Endrick, Gabriel Martinelli, Pedro Geromel e Elias, o mais novo destaque a levar o nome do clube adiante é Ryan. O jovem ficou conhecido no futebol brasileiro na última terça-feira (21) por levar o São Paulo para a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior com duas cavadinhas em cobranças de pênaltis no fim do jogo.

Descoberto por Thadeu Nogueira, coordenador, diretor e técnico das categorias de base do clube, o formador do craque são-paulino se emocionou ao relembrar o primeiro contato com ‘Ryanzinho’, ainda acanhado e com talento de sobra para a idade dele.

A equipe do Esporte na Band escutou Thadeu para conhecer as raízes da nova promessa do futebol brasileiro e entendeu o passado da joia são-paulina com multa rescisória para deixar o Tricolor avaliada em R$ 374 milhões. Confira:

Início no rival

“Eu captei o Ryan aos 8 anos, quando era técnico do sub-10. Ele estava no futsal do Corinthians e não jogava no campo. Ele veio só para assistir. Eu o vi brincando sozinho com a bola e fui perguntar o nome dele. Conversei com o pai dele e fiz o convite para se juntar a nós. Ele virou para o pai dele na hora e disse: ‘gostei, quero treinar aqui’. E a gente nem tinha categoria para idade dele, já começou uma acima.”

‘Gelado’ desde pequeno

“Ele era marrento, tinha personalidade. Na época ele não dava cavadinha ainda, mas fazia paradinha e deslocava o goleiro. [Sempre foi] Frio, gelado. Você prestava atenção nele no vestiário antes dos grandes jogos, sempre bem tranquilo, quieto, sem ficar nervoso. Não é natural nessa idade dos meninos.”

“Ele não se esconde do jogo, mas é um menino humilde, que se transforma dentro de campo, que chama a responsabilidade, que tem o diferencial”

Emoção após repercussão de cavadinha

“Antes da Copinha ele esteve no Coroa, cumprimentou todo mundo, tirou foto com as crianças. Às vezes eu brinco com ele: ‘você ainda não entendeu o tamanho que tem para as crianças aqui do Coroa’. E ele ri. Eu me arrepio e me emociono ao lembrar do Ryan aqui no Coroa.”

“Tinha certeza que ele ia fazer o gol. Mas aí ele foi lá e fez aquela pintura. As crianças no Coroa no segundo pênalti começaram a gritar ‘cava, cava, cava!’”

“A emoção que eu sinto é pela paixão que eu tenho pelo Coroa, desse projeto de tirar as crianças da rua… Aí você vê o Ryan, criado por pessoas humildes, trabalhadoras, vê que ele mantém a mesma humildade de quando criança, o carinho que eles tem pelo Coroa é o que me emociona e impulsiona para continuar abrindo portas para as crianças”

Um recado aos torcedores do São Paulo e para ‘Ryanzinho’

“Foi um casamento perfeito: Ryan e São Paulo. Acho que a torcida do São Paulo tem que desfrutar muito desse momento, acolher muito essa joia. Para nós do Coroa ele sempre vai ser o nosso menino Ryan. Que ele continue sendo aquele menino que chegou no Coroa, brincando sozinho com uma bola.”

Parceria com Endrick

“Quem trouxe o Endrick para o Coroa foi o Ryan. Eu lembro que o pai do Ryan chegou falando que tinha um menino no Palmeiras que formava dupla de ataque com ele. O Endrick na verdade passou pelas categorias de base do Coroa, mas já era do Palmeiras”

“Já tinham essas comparações entre os dois (Endrick e Ryan Francisco), era inevitável não ter, mas eles eram bem tranquilos. O Endrick explora bastante a explosão física e o Ryan já é o jogador do drible curto, não precisa de muitos espaços. Se acharem ele no ataque, ele acha a solução ideal para definir as jogadas em fração de segundos, em um espaço mínimo”