
Livro diz que Robinho e Brennand tiveram rivalidade que envolveu o futebol
Divulgação/ Matrix Editora
O presídio de Tremembé não é uma cadeia comum. Então é claro que o jogo de futebol não é só um passatempo. A "cadeia dos famosos" tem partidas que influenciam disputas por poder, servem como ostentação e até geram apelidos infames. O jornalista Ullisses Campbell, que escreveu o livro "Tremembé: o presídio dos famosos", revelou detalhes dos jogos que envolveram Robinho, Thiago Brennand, Alexandre Nardoni, irmãos Cravinhos e outros condenados.
A cidade de Tremembé já teve um time de verdade, o Tremembé Futebol Clube. Mas ele foi extinto há um século. Agora os "times" da cidade têm outros nomes. Podem ser "com camisa" e "sem camisa". Mas também podem ter nomes bem piores, como "assassinos" e "estupradores".
A ideia surgiu de um presidiário: "Certa vez, um interno com transtorno psiquiátrico, chamado Ramiro, interrompeu a partida com uma sugestão grotesca para formação dos times: estupradores contra ladrões. Ou políticos e empresários contra assassinos. Por alguns instantes, o pátio ficou em silêncio com a proposta tragicômica, até que uma onda de gargalhas tomou conta de todos".
Rotina e apelidos
As partidas do chamado "terrão de Tremembé" acontecem durante o banho de sol. E os detentos tinham uma "regra" diferente: durante o jogo era permitido chamar os criminosos por alguns apelidos.
- Alexandre Nardoni, que matou a filha: "Cadeirinha"
- Guilherme Longo, que matou o enteado: "Bebê Conforto"
- Irmãos Cravinhos, que mataram os pais de Suzane Von Richtofen: "Irmãos Paulada"
- Lindemberg, que matou Eloá Pimentel: "Cercadinho"
Estupradores eram chamados de “Jack”. Homens que mataram a facadas eram chamados de Jason. Quem matou parente era “Suzane”.
Durante os jogos, era normal ouvir “piadas” com os apelidos. Nardoni, que cortou a rede de uma janela para jogar a filha, ouvia uma “brincadeira” quado ia fazer gol:
Vai, Cadeirinha, olha a rede
Ele não se incomodava no jogo. Mas se alguém fizesse uma piada semelhante em outro momento, isso seria encarado como um insulto grave.
Quem joga e quem se destaca?
É claro que os ex-jogadores de futebol condenados se destacam no presídio dos famosos.
- Robinho, ex-Santos e condenado por estupro, era capitão e treinador
- Edinho, ex-goleiro do Santos, que foi acusado por tráfico, foi uma "estrela do campo", como definiu Ullisses.
- Fabinho Fontes, ex-Corinthians, condenado por estupro de uma criança, fazia dupla com Janken Evangelista, ex-Mogi Mirim, que matou a esposa a facadas.
Outros condenados famosos também jogavam bola.
- Lindemberg, por exemplo, foi chamado de "craque" no livro.
- Já Alexandre Nardoni se destaca por ostentação - Ulisses contou que o pai dele é rico e leva produtos de futebol para o filho, inclusive chuteiras R$ 2500 a R$ 3000.
- Na série "Tremembé", baseada no livro de Ullisses, Nardoni aparece começando uma pequena briga com um presidiário transexual. Logo depois, Cristian Cravinhos faz um gol e dedica para Duda, um homossexual com quem ele tem um romance posteriormente.
Amigos de Robinho x Amigos de Brennand
Cerca de 10 anos depois desses jogos que envolviam Cravinhos, Nardoni e Lindemberg, o futebol passou a ter uma importância ainda maior: foi uma das ferramentas na disputa de poder entre Robinho e Thiago Brennand, dois condenados por estupro. Segundo Ullisses, eles rivalizaram no presídio, apesar dos perfis parecidos.
Brennand teve dificuldade de adaptação, pois esnobava até dos companheiros de cela. Mas queria se impor como líder e ofereceu vantagens para que outros presidiários fizessem aquilo que ele queria - obrigações simples, como lavar a própria roupa e limpar a cela. Ele dava Nutella como pagamento e por isso recebeu esse apelido. Também deu um jeito de conseguir advogados para os “colegas” que faziam serviços para ele.
Robinho passou por um processo semelhante. Segundo Ullisses, ele teve até dificuldades psicológicas na chegada e falava sozinho - algo que foi negado por Robinho posteriormente. Mas com o tempo, o ex-jogador percebeu que era admirado pelos outros presidiários, por causa da vida de jogador. Os internos queriam saber como foi a carreira dele, como era viver na Europa, queriam jogar futebol com ele e perguntavam muito sobre Neymar. Brennand começou a se incomodar.
Se Neymar e Robinho fossem amigos como esse bosta diz, o Neymar já tinha vindo visitar aqui na cadeia. Cadê?
Eram dois condenados de ego inflado. A liderança de Robinho era mais natural e incomodava Brennand, que tentava se impor, mas era mal visto por muitos. "Brennand perpetuava arrogância na cadeia com desenvoltura", escreveu Ullisses.
Mais uma vez o futebol apareceu na disputa: Brennand comprou 30 chuteiras e deu para os presidiários que jogavam bola. Era uma forma de tentar limpar a imagem. A resposta de Robinho foi treinar esses condenados do “time de Brennand”.
Entre as diferenças, muitas semelhanças: os dois negavam os crimes. Diziam que o sexo tinha sido consensual e que foram perseguidos, sofreram golpes e eram injustiçados.
Recentemente surgiram mais semelhanças: ambos gravaram vídeos para dizer que não recebiam tratamentos especiais na cadeia. E ambos pediram para sair de Tremembé.
Por enquanto, apenas Brennan conseguiu sair e foi para uma prisão que reúne condenados por crimes sexuais em Guarulhos. Robinho alegou que está incomodado com as "fofocas" de Tremembé e quer ficar mais perto da capital. Apito final na rivalidade.
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