STJD mantém decisão da CBV e impede Tifanny de jogar a Superliga
Justiça Desportiva defende autonomia da confederação e queda de liminar que liberava a atleta deve ser oficializada

Osasco venceu o Campeonato Paulista de Vôlei 2026 com ponto de Tifanny
Reprodução/tifannyabreu10
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) manteve a decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que impede a participação da atleta Tifanny Abreu na atual temporada da Superliga. Com essa determinação, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) deve oficializar em breve a queda da liminar que permitia que a jogadora atuasse.
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Ao defender a autonomia da CBV para atualizar seus critérios de elegibilidade, o STJD argumentou que fatores como a existência de regulamentação internacional, o contrato profissional com o Osasco e o histórico de atuação da jogadora em temporadas anteriores não afastam a competência da entidade esportiva.
"O controle exercido pela Justiça Desportiva deve preservar a autonomia regulamentar da entidade, sem deixar de fiscalizar a legalidade dos procedimentos administrativos e dos atos concretamente praticados. A autonomia não constitui autorização para arbitrariedade, mas também não pode ser esvaziada pela substituição jurisdicional de critérios técnico-desportivos legitimamente estabelecidos", argumenta o órgão.
O histórico recente da disputa judicial
Na última sexta-feira, dia 16, a ponteira havia obtido uma liminar no TJ-RJ para disputar as competições da CBV, decisão tomada após ter sido excluída da lista de inscrições deferidas do seu clube. Anteriormente, um pedido de revisão já tinha sido negado no próprio STJD.
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Graças à liminar da Justiça comum, Tifanny iniciou em quadra a partida da Supercopa contra o Praia Clube e também esteve presente na estreia do Osasco na Superliga, no jogo contra a equipe de Brasília.
Entenda as novas regras impostas pela CBV
Em agosto deste ano, a CBV determinou que a participação nos torneios da categoria feminina seja exclusiva para atletas do sexo biológico feminino. A regra foi implementada em consonância com as políticas vigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).
A confederação brasileira justificou ao divulgar as novas diretrizes que decidiu "atuar em conformidade com as diretrizes técnicas do Movimento Olímpico", ressaltando que, embora as entidades nacionais não sejam obrigadas a seguir os parâmetros do COI em suas competições internas, optou por adotar essa linha.
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A trajetória de Tifanny no vôlei
A oposta de 41 anos concluiu sua transição de gênero e estreou na categoria feminina em 2017, após receber a liberação da Federação Internacional de Vôlei. Depois de uma passagem pelo vôlei italiano, retornou ao Brasil para jogar no Sesi-Bauru.
A atleta defende o Osasco desde 2021, clube pelo qual soma um título da Superliga, quatro Campeonatos Paulistas, um vice-campeonato Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes. Na última temporada, Tifanny foi a única atleta transexual a disputar a Superliga Feminina.
Após a implementação da nova norma pela CBV, a única competição em que ela teve liberação para atuar foi o Campeonato Paulista, no qual se sagrou campeã com a equipe do Osasco.
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* Com informações de Estadão Conteúdo.
