Eleições em Israel dividem país entre Netanyahu e general Eisenkot; veja
Votação para o Parlamento tem disputa acirrada entre o atual premiê e o bloco de oposição

Eleições em Israel dividem país entre Netanyahu e general Eisenkot; veja
Reuters
As eleições gerais realizadas em Israel expõem a profunda divisão da sociedade sobre o futuro do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e os rumos dos conflitos armados no Oriente Médio. O pleito renova os 120 assentos do Knesset, o parlamento israelense, onde a formação de um novo governo exige a obtenção de pelo menos 61 cadeiras.
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Netanyahu busca permanecer no cargo que ocupa há 19 anos, somados três períodos distintos de gestão. Em sua campanha, o chefe de governo exalta as operações militares conduzidas contra o grupo terrorista Hamas, o Hezbollah e o Irã como os maiores triunfos do atual mandato.
Apesar do discurso de força, o primeiro-ministro enfrenta fortes cobranças públicas pelas falhas na segurança nacional. Ele também responde na Justiça a processos por suborno, fraude e abuso de confiança que podem resultar em prisão, embora negue todas as acusações.
Na reta final antes da votação, Netanyahu intensificou o tom belicista, exaltou o apoio público do ex-presidente americano Donald Trump e sugeriu a retomada de ataques contra alvos iranianos.
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O perfil e as propostas de Gadi Eisenkot
O principal adversário de Netanyahu no pleito é um antigo aliado das Forças Armadas. Gadi Eisenkot lidera o partido de centro-direita Yashar e construiu uma carreira de quatro décadas na área militar.
Filho de imigrantes marroquinos, o general da reserva exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior e integrou o próprio gabinete de guerra organizado por Netanyahu. Eisenkot perdeu um filho em combate na Faixa de Gaza e decidiu deixar o governo em 2024 após manifestar duras divergências contra a liderança do premiê.
Caso vença a disputa, Eisenkot promete instaurar investigações formais para apurar as falhas estatais que permitiram os atentados promovidos pelo Hamas.
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No entanto, o líder opositor mantém posições semelhantes às de Netanyahu na questão palestina. Sonia Blota explica que Eisenkot defende uma política rigorosa de segurança externa e rejeita formalmente a fundação de um Estado palestino.
O líder do Yashar apoia também a ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Entre as divergências internas, Eisenkot quer acabar com a isenção do serviço militar para homens ultraortodoxos, medida que encontra forte resistência dos setores religiosos.
Cenário econômico e a busca por maioria
As decisões dos eleitores também são pautadas por preocupações cotidianas no país. Nathan Klabin destaca que a segurança e os conflitos armados em Gaza lideram as atenções da população, mas ressalta que o impacto econômico e o avanço da inflação pesam de forma decisiva na escolha do voto.
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A definição do novo chefe de governo depende da composição das 61 cadeiras no parlamento. O partido Likud, de Netanyahu, concorre coligado com siglas de extrema-direita e grupos ultraortodoxos para viabilizar um novo mandato.
Do outro lado, a frente encabeçada por Eisenkot articula legendas de diversas correntes ideológicas, da direita à esquerda, com o objetivo principal de retirar o atual governante do comando nacional.
A balança decisória envolve ainda dois blocos árabes com representação no Knesset. Um dos partidos, o Ra'am, elegeu cinco deputados em 2022 e pode atuar como elemento decisivo nas negociações para a formação da maioria parlamentar.
