Presa acordou 'com raiva e confusa' após sobreviver a injeção letal nos EUA
Justiça ordenou a preservação de possíveis provas de falha na tentativa de execução de Christa Pike

Knoxville News Sentinel/USA TODAY NETWORK via Reuters
A americana Christa Pike, de 50 anos, que sobreviveu a duas doses de injeção letal na semana passada, nos Estados Unidos, acordou com "raiva e profunda confusão" fazendo perguntas como "Onde estou" e "Quem é você". A revelação foi feita por seus advogados, nesta quarta-feira (7), marcando a mais recente reviravolta do caso, após a equipe jurídica passar dias acreditando em sua morte cerebral.
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Até o início desta semana, os defensores de Pike aguardavam o desligamento dos aparelhos de suporte à vida a qualquer momento, segundo informações da BBC. No entanto, a detenta começou a falar na terça-feira (6), apresentando memórias bastante reduzidas sobre o procedimento ao qual foi submetida em 30 de setembro.
Pike recorda ter colaborado de forma amigável com a equipe do presídio para encontrar uma veia em seu braço antes de perder os sentidos. Ao despertar no hospital com um tubo na garganta e cercada por desconhecidos, a condenada deparou-se com graves sequelas físicas: seus dois braços apresentam inchaço severo, marcas de queimaduras e bolhas resultantes da aplicação do medicamento.
Mesmo sob cuidados médicos intensivos, as autoridades prisionais mantêm a detenta acorrentada pelas mãos e pés à cama, ignorando pedidos da equipe de saúde para a remoção das contenções.
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Justiça determina guarda de provas
Diante do fato de a cliente ter voltado a falar, a equipe de defesa acionou a Justiça em uma audiência de emergência para garantir a preservação de todas as evidências materiais da execução frustrada.
A juíza I'Ashea Myles acatou a solicitação e ordenou que o estado do Tennessee guarde seringas, cateteres, tubulações intravenosas, rótulos de medicamentos e os cintos de imobilização usados na maca.
A ordem judicial estende-se a mensagens governamentais, relatórios de incidentes e registros do estado psicológico de Pike antes, durante e depois da tentativa de aplicação da pena capital. Os advogados sustentam que submeter a detenta a esse processo configurou prática de tortura, violando a Constituição e abrindo caminho para ações judiciais contra o estado.
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Crise institucional e paralisação das execuções
O desdobramento da recuperação da detenta ampliou a crise política no estado: o governador Bill Lee decretou a pausa de todas as execuções previstas para este ano, enquanto o chefe do Departamento Penitenciário do Tennessee apresentou sua demissão do cargo.
O episódio também expôs o uso de farmácias de manipulação não regulamentadas para a obtenção de sedativos, recurso adotado após fabricantes farmacêuticos proibirem a venda de medicamentos para execuções devido a restrições comerciais da União Europeia.
Christa Pike cumpre pena pelo assassinato da colega Colleen Slemmer, ocorrido em 1995.
