Santiago Peña diz que exercerá direito de defesa em processo de impeachment
Decisão de Peña de renunciar ao cargo ainda não foi efetivada, já que o Congresso decidiu manter o processo de destituição contra ele

Santiago Peña
Cesar Olmedo/Reuters
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, informou que exercerá seu direito de defesa diante do processo de impeachment aberto contra ele pelo Congresso do país. A sessão do Senado será retomada nesta sexta-feira (6).
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Nesta quinta-feira (5), o político apresentou sua renúncia ao cargo em meio a crise bancária no país. No entanto, a decisão de Peña ainda não foi efetivada, já que o Congresso decidiu manter o processo de destituição contra ele.
“Diante da continuidade do processo de impeachment, comparecerei e exercerei meu direito à defesa. Farei isso com argumentos e provas, respeitando a Constituição e as instituições da República”, escreveu Peña na plataforma X, antigo Twitter.
“Mesmo que já tenham antecipado sua decisão, vou exercer esse direito. Não por uma questão de orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio”, continuou.
No texto, o presidente paraguaio afirmou que irá colaborar com as instituições competentes para que se esclareça o ocorrido, “se determinem as responsabilidades e aqueles que tenham infringido a lei respondam perante a Justiça”.
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“Mas quero deixar algo bem claro: o pagamento aos poupadores não pode ficar dependente do que acontecer comigo. A discussão sobre minha permanência no cargo não pode paralisar as soluções que as famílias afetadas precisam”, destacou.
Segundo ele, sua prioridade foi impulsionar, dentro da lei e em coordenação com as instituições responsáveis, medidas necessárias para que as pessoas recuperem suas economias.
“Peço que mantenhamos a calma e a paz. As reivindicações da população merecem ser ouvidas e atendidas com respeito, informações claras e ações concretas”, pontuou.
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“Meu destino pessoal não está acima do Paraguai. Seja qual for o resultado deste processo, atuarei com responsabilidade e respeito à Constituição. Meu compromisso é com a verdade, com as instituições e, acima de tudo, com as famílias paraguaias”, concluiu.
Crise do Ueno Bank
A sessão ocorre em meio à crise provocada pela intervenção do Banco Central no Ueno Bank, por grave insuficiência de capital. A medida congelou contas de cerca de 3 milhões de clientes e revelou um rombo estimado em mais de R$ 4 bilhões. O escândalo ganhou o apelido de "Master Paraguayo" e gerou forte pressão social.
Diante do desgaste, Peña comunicou nesta quinta-feira que apresentou sua renúncia ao cargo, alegando defender a estabilidade do país e a tranquilidade dos correntistas. Em vídeo, afirmou que "nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai" e pediu desculpas ao povo caso tenha "falhado" com a confiança dos eleitores.
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Investigações sobre Peña
Paralelamente à disputa política, o Ministério Público do Paraguai abriu processo penal para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos depositados no Ueno Bank e a relação de Peña com empresas ligadas ao grupo financeiro.
Segundo o jornal "Hoy", os promotores Elena Fiore Franco, Silvia González Vöster e Christian Manuel Cáceres, da unidade especializada em crimes econômicos e corrupção, foram designados para conduzir o caso, sob coordenação da procuradora-adjunta Nancy Salomón Marín.
A denúncia apresentada por parlamentares da oposição cita possíveis divergências nas declarações de patrimônio do presidente entre 2017 e 2023, aumento de bens considerado incompatível com o cargo e participação em empresas relacionadas ao banco.
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Os autores pedem apurações sobre conselheiros do Banco Central e outras autoridades que mantinham dinheiro na instituição, mencionando suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e administração fraudulenta. Peña ainda não respondeu detalhadamente às acusações e afirma que sua prioridade é garantir a devolução dos depósitos e preservar a estabilidade da República.
Sucessão indefinida
Para que a renúncia produza efeito, o Congresso precisa aceitá-la oficialmente. Caso isso ocorra, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência. Com a suspensão da sessão desta quinta-feira, a definição sobre o comando do país ficou para a nova reunião prevista para esta sexta-feira, em meio à maior crise financeira recente do Paraguai.
