
Home Office
Pixabay
Resumo
Levantamento da HUG indica que 67,7% dos profissionais brasileiros relatam melhora na qualidade de vida com o trabalho remoto em 2025, embora 23,1% apontem efeitos mistos e 9,2% citem impactos negativos.
Depoimentos de Gustavo Loureiro Gomes, CEO da HUG, e Raquel Nunes, especialista em Recursos Humanos, destacam que o modelo remoto passou a influenciar a escolha de vagas, mas as empresas ainda não oferecem apoio emocional suficiente, o que pode afetar o bem-estar dos profissionais.
Dados revelam que 83,6% dos trabalhadores enfrentaram sintomas psicológicos no último ano, como ansiedade e burnout, e que metade dos entrevistados paga pela própria terapia, mostrando lacunas no suporte à saúde mental nas organizações.
O trabalho remoto segue como um dos principais fatores de impacto na rotina dos profissionais brasileiros. Levantamento realizado pela HUG, empresa que atua na curadoria e alocação de profissionais de comunicação, aponta que 67,7% dos entrevistados afirmam que o home office melhorou a qualidade de vida em 2025. Outros 23,1% relatam efeitos mistos, com benefícios acompanhados de desafios como isolamento social e excesso de jornada. Já 9,2% descrevem impactos predominantemente negativos.
Para Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, o modelo remoto deixou de ser uma medida temporária adotada na pandemia e passou a influenciar diretamente a escolha por vagas de emprego. Segundo ele, profissionais consideram não apenas a remuneração, mas também aspectos como flexibilidade, autonomia e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho ao avaliar propostas.
Apesar da avaliação majoritariamente positiva, o estudo aponta fragilidades no suporte oferecido pelas empresas. De acordo com os dados, 43,3% dos respondentes afirmam não receber nenhum tipo de apoio corporativo voltado à saúde física ou mental. Apenas 34,3% dizem contar com políticas estruturadas, enquanto 22,4% avaliam que o suporte existe de forma parcial.
A pesquisa também acende um alerta para a saúde emocional dos trabalhadores. Ao menos 83,6% relataram ter enfrentado algum sintoma psicológico no último ano, como ansiedade, dificuldade de concentração, burnout, insônia, isolamento social ou depressão. A ansiedade foi a queixa mais frequente, citada por 51,5% dos participantes, seguida por dificuldade de concentração (47%) e sensação de exaustão ou burnout (39,6%).
Segundo Raquel Nunes, especialista em Recursos Humanos na HUG, embora o home office tenha proporcionado ganhos concretos de qualidade de vida, as empresas ainda não estruturaram de forma adequada políticas de apoio emocional compatíveis com o novo formato de trabalho. Para ela, a ausência desse suporte pode comprometer o bem-estar e a produtividade dos profissionais.
Os dados sobre acesso à terapia reforçam esse cenário. Metade dos entrevistados (50%) afirma custear o próprio acompanhamento psicológico. Apenas 11,9% contam com o benefício oferecido pela empresa. Outros 26,1% relatam que já fizeram terapia, mas interromperam o tratamento, enquanto 11,9% nunca buscaram esse tipo de apoio.
O levantamento sugere que, embora o trabalho remoto esteja associado a uma percepção positiva de qualidade de vida para a maioria, ainda há lacunas no cuidado com a saúde mental dentro das organizações.

