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Viajar sozinha deixa de ser exceção e vira tendência entre as brasileiras

Mulheres buscam autonomia e experiências personalizadas pelo mundo e mudam o perfil do turismo

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

04/07/2026 • 07:03 • Atualizado em 04/07/2026 • 07:03

Viajar sozinha é uma tendência

Viajar sozinha é uma tendência

Unsplash

Agências de turismo, redes hoteleiras e plataformas de hospedagem passaram a enxergar um perfil de cliente que até poucos anos atrás ocupava uma fatia discreta do mercado. Mulheres que viajam sozinhas deixaram de representar uma demanda pontual para influenciar a criação de roteiros, pacotes, hospedagens e experiências desenhadas especificamente para quem prefere descobrir um destino sem companhia.

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A mudança pode ser observada em diferentes levantamentos do setor de turismo. Plataformas internacionais registraram aumento nas buscas por viagens individuais feitas por mulheres, enquanto empresas especializadas ampliaram a oferta de produtos voltados para esse público. O interesse acompanha transformações no comportamento de consumo e na forma como muitas brasileiras passaram a organizar férias, feriados e períodos de descanso.

Escolher o próprio roteiro aparece como uma das principais razões para esse crescimento. Sem precisar conciliar agendas ou interesses diferentes, as viajantes passaram a priorizar experiências que valorizam gastronomia, cultura, natureza e bem-estar. O destino deixou de ser apenas um lugar para conhecer pontos turísticos e passou a ser planejado de acordo com preferências pessoais.

Entre as experiências mais procuradas por mulheres que viajam sozinhas estão:

  • Roteiros gastronômicos e visitas a mercados locais;
  • Trilhas e caminhadas com guias especializados;
  • Programas de bem-estar, spas e águas termais;
  • Museus, centros históricos e circuitos culturais;
  • Vinícolas e degustações;
  • Passeios de bicicleta;
  • Aulas de culinária e experiências de imersão cultural;
  • Turismo de natureza.

Esse comportamento também influenciou a escolha dos destinos. Países conhecidos pela boa infraestrutura turística, transporte público eficiente e sensação de segurança passaram a receber atenção especial. Portugal continua sendo uma das portas de entrada mais procuradas por brasileiras na Europa, enquanto Japão, Islândia, Canadá e Itália aparecem frequentemente em listas internacionais voltadas ao turismo individual feminino por oferecerem boa mobilidade e ampla oferta de atividades culturais.

A indústria do turismo percebeu rapidamente essa transformação. Operadoras passaram a organizar grupos exclusivos para mulheres, hotéis ampliaram a oferta de quartos individuais e empresas especializadas criaram roteiros que combinam lazer, gastronomia, esportes e experiências locais. Em vez de simplesmente adaptar pacotes tradicionais, muitas marcas passaram a desenvolver produtos pensados desde o início para esse perfil de viajante.

As redes sociais também exerceram influência importante nesse processo. Relatos de viagem, produção de conteúdo e comunidades dedicadas ao turismo feminino ajudaram a reduzir receios e compartilhar informações sobre segurança, hospedagem, transporte e planejamento. A troca de experiências entre viajantes tornou o acesso à informação muito mais rápido e facilitou a decisão de quem fazia a primeira viagem sozinha.

A autonomia financeira conquistada por muitas mulheres também contribuiu para esse cenário. Viajar deixou de depender necessariamente de férias em grupo ou da disponibilidade de familiares e amigos. A decisão passou a ser tomada de maneira mais independente, permitindo viagens mais curtas, escapadas de fim de semana e roteiros personalizados ao longo do ano.

Essa transformação alterou a forma como o mercado entende o turismo feminino. O foco deixou de ser apenas oferecer hospedagem ou transporte. Restaurantes, experiências culturais, atividades esportivas e programas ligados ao bem-estar passaram a integrar um mesmo ecossistema voltado para quem deseja construir a própria jornada sem abrir mão de conforto, segurança e liberdade de escolha.

Viajar sozinha deixou de representar uma exceção para se tornar uma forma diferente de conhecer o mundo. Mais do que visitar novos lugares, muitas brasileiras passaram a enxergar a experiência como uma oportunidade de definir o próprio ritmo, descobrir novos interesses e construir memórias de maneira completamente personalizada.

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