
Zema defende transparência, mas mantém isenções fiscais sob sigilo em Minas.
Sérgio Lima
A privatização de empresas estatais ainda está no plano do governo de Minas Gerais e pode avançar com as negociações do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), informou o governador Romeu Zema. Segundo o chefe do executivo estadual, a Companhia Energética de Minas Gerais precisa ser transformada em uma "corporation" antes de qualquer leilão ou eventual federalização.Entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira (25), Zema intenção de ampliar as privatizações das estatais e destacou a mudança de modelo de gestão é necessária para evitar riscos jurídicos a futuros compradores, por causa do mecanismo de "tag-along" (conceito do mercado de capitais, para o 'direito de venda conjunta') e garantir maior eficiência e valorização no mercado. O governador disse, ainda, que mesmo sem a venda da participação do Estado, Minas ganharia com a mudança. Isso porque a Cemig poderia ser administrada sem a Lei de Licitações, que ele considera um entrave burocrático que atrasa compras e reduz competitividade.Zema ressaltou ainda que, atualmente, uma lei federal estabelece que empresas estatais de energia que não forem privatizadas ou convertidas nos próximos cinco anos perderão suas concessões. Segundo o governador, que, sem mudanças, a Cemig pode perder valor e, em dez anos, “valer quase nada”. Zema disse que vai à Assembleia Legislativa para reforçar a necessidade da transformação.Na entrevista, Zema foi questionado sobre outros governadores que avançaram nas privatizações, enquanto Minas não conseguiu vender a Cemig e a Copasa. Zema respondeu que sua trajetória política, por ser de fora do meio tradicional, teria gerado maior resistência na Assembleia Legislativa.Zema também criticou resistências políticas enfrentadas, especialmente no início de sua gestão, citando as CPIs envolvendo a Cemig, que classificou como "descabidas". Segundo o governador, “parte da classe política mantém apego” às empresas públicas por interesses eleitorais, o que comprometeria investimentos.
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