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Brasil

Em 2003, juiz foi assassinato em crime semelhante ao que matou o delegado Ruy Fontes

O juiz Antonio Machado Dias foi alvejado por tiros após o expediente, dentro do carro, em Presidente Prudente (SP) após investigar facções

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18/09/2025 12:55 • Atualizado há 402 dias

Em 2003, juiz foi assassinato em crime semelhante ao que matou o delegado Ruy Fontes

A execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande, no litoral de São Paulo, chocou autoridades e a população brasileira nesta semana. O crime foi considerado um atentado ao Estado. Fontes foi morto com tiros de fuzil na última segunda-feira (15), após o expediente, na Prefeitura de Praia Grande, onde atuava como Secretário de Administração Pública.

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O ex-delegado já estava aposentado. Ele chefiou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022, após ser nomeado para o cargo de delegado-geral no então governo João Dória (na época, no PSDB). Em 2006, ele foi o responsável por indiciar a cúpula do primeiro Comando da Capital (PCC), inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP).

O crime desta semana tem características semelhantes com um assassinato ocorrido em 14 de março de 2003, em Presidente Prudente (SP). O juiz-corregedor Antonio Machado Dias, conhecido por Machadinho, foi alvejado por tiros de fuzil após o expediente, no fórum de Presidente Prudente. Ele dirigia seu carro, às 18h30, quando homens, dentro de um carro, dispararam contra ele a poucos metros do fórum. Dias foi atingido na cabeça, tórax e braços. Ele ainda dirigiu o veículo até bater contra uma árvore. A justiça condenou Marcola e Julinho Carambola como os mandantes intelectuais do crime.

Assim como Fontes, Machadinho foi um dos responsáveis pelas prisões dos líderes de facções criminosas que atuam no estado de SP e Rio de Janeiro. Ele foi o responsável pela prisão de Fernandinho Beira-Mar no presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau. Segundo relatos obtidos na época do crime, ele havia dispensado a escolta policial no dia do crime.

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O carro utilizado pelos assassinos de Machadinho também foi abandonado a poucos metros do local do crime, como ocorreu em Praia Grande, e haviam sido roubados na Grande São Paulo.

Cinco pessoas, todas integrantes da facção criminosa, foram condenadas por envolvimento no assassinato de Dias: Reinado Teixeira dos Santos, o Funchal, foi condenado a 30 anos de prisão e está preso em uma penitenciária federal. Ronaldo Dias, o Chocolate, dirigia o carro e foi condenado a 20 anos de cadeia. Ele cumpre pena em Presidente Venceslau. João Carlos Rangel, o Johnny, foi condenado a 19 anos e já deixou a cadeia. Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Julio César Guedes Moraes, o Julinho Carambola, foram condenados a 29 anos de prisão por serem os mandantes intelectuais do crime. Os dois estão em penitenciárias federais. Um outro homem acusado por este crime morreu na cadeia de Mirandópolis (SP) antes de ser julgado.

O assassinato de Dias foi considerado o ataque direto executado pelo crime organizado contra uma autoridade do Poder Judiciário no Brasil. Um busto em homenagem a Machadinho foi instalado no Tribunal do Júri no Palácio da Justiça em São Paulo.

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