Ministério Público de SP recomenda rejeitar delação de 'Beto Louco'
Promotores consideram oferta de R$ 1 bilhão insuficiente diante de fraudes estimadas em R$ 8 bilhões; empresário nega lavagem de dinheiro para o crime organizado

Promotores de São Paulo recomendaram a rejeição da proposta de delação premiada apresentada pela defesa do empresário Roberto Augusto Leme, conhecido como "Beto Louco". Acusado de atuar como gestor financeiro do grupo Copape/Aster no setor de combustíveis, ele ofereceu o pagamento de R$ 1 bilhão em contrapartida ao acordo. No entanto, o Ministério Público considera o valor insuficiente, uma vez que o esquema de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro é estimado em cerca de R$ 8 bilhões.
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A avaliação das autoridades é que aceitar a proposta poderia permitir que os investigados regularizassem parte de um patrimônio de origem ilícita. Além disso, o conteúdo da colaboração é questionado: embora "Beto Louco" admita fraudes tributárias, ele não reconhece o envolvimento com a lavagem de dinheiro para a facção criminosa PCC — ligação que, segundo os promotores, já está amparada por provas consolidadas na investigação.
Investigação e conexões financeiras
O material oferecido pelo empresário, que cita o suposto envolvimento de servidores e magistrados, foi visto com ressalvas pelos promotores, que acreditam que parte das informações já era de conhecimento dos investigadores. Roberto Augusto Leme e seu sócio, Mohamad Mourad, o "Primo", estão foragidos há mais de sete meses e estariam escondidos na Líbia, de onde negociam os termos da colaboração à distância.
As atividades do grupo foram alvo da Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema abrangente:
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- Setor de Combustíveis: Foco na produção e distribuição por meio do grupo Copape/Aster.
- Centro Financeiro: A operação atingiu fintechs e fundos com sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo.
- Movimentação Bilionária: A estimativa das autoridades é que braços do PCC tenham movimentado R$ 52 bilhões em um período de quatro anos.
Próximos passos jurídicos
A decisão final sobre a aceitação ou não do acordo de colaboração cabe agora ao Procurador-Geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. Caso ele siga a recomendação dos promotores e rejeite a proposta, o processo judicial continuará seguindo os trâmites normais.
Esta não é a primeira vez que a defesa do empresário tenta um acordo sem sucesso. Em dezembro do ano passado, uma proposta de delação de "Beto Louco" já havia sido rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Se a negativa se mantiver na esfera estadual, os investigados permanecem na condição de foragidos enquanto as ações penais avançam com base nas provas já coletadas.
