Sem combate à corrupção, não há como enfraquecer o PCC, diz promotor
Promotor cita Operação Carbono Oculto para ilustrar como empresas ligadas ao crime organizado operam por anos sem pagar tributos com apoio de agentes públicos corruptos

O promotor Lincoln Gakiya, avalia em entrevista ao Canal Livre que a corrupção de agentes do Estado é um dos pilares que sustentam o crescimento de organizações mafiosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e combatê-la é condição indispensável para enfraquecer essas estruturas, principalmente em ano eleitoral, quando a presença do crime organizado na política volta a ganhar destaque no debate público.
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"Nenhuma organização criminosa, mafiosa como o PCC, consegue crescer e florescer se não houver corrupção", afirmou Gakiya. "A corrupção de agentes públicos é um dos requisitos de uma organização mafiosa."
O promotor lamentou que esse ponto tenha ficado de fora do projeto de lei antifacção sancionada em março. Para ele, a omissão compromete a eficácia do texto, já que atacar apenas a estrutura criminal sem enfrentar a corrupção que a alimenta é insuficiente.
Para ilustrar o argumento, Gakiya citou a Operação Carbono Oculto, que investigou empresas do setor de combustíveis ligadas ao crime organizado. Segundo ele, é impossível que companhias com dívidas tributárias na casa de 10 a 20 bilhões de reais continuem operando normalmente sem que haja uma rede de corrupção estruturada em vários setores do Estado.
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"Se eu dever R$ 5 mil para o imposto de renda, vou ter bloqueio de bens rapidamente", comparou.
O promotor também revelou que, entre as empresas investigadas, há casos de grupos que operam há 10 a 15 anos sem recolher nenhum tributo. "Zero. E como continua operando?", questionou. Gakiya mencionou ainda, sem citar o nome, uma grande refinadora ligada ao setor de combustíveis que não estava na Carbono Oculto, mas que seria o maior devedor de tributos do país, superando empresas de grande porte como a Ambev.
O empresário vive nos Estados Unidos e manteve negócios no Brasil por anos. Segundo o promotor, o nome chegou ao conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Para Gakiya, a situação evidencia uma falha estrutural que vai além da investigação policial. Enquanto a corrupção permitir que grupos criminosos operem abertamente na economia formal sonegando impostos, infiltrando empresas e cooptando agentes públicos, qualquer esforço de combate ao crime organizado terá alcance limitado.
