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Ataques a bolsistas em Maringá expõem violência política após eleição

Casos de discriminação também foram registrados no Rio e em Minas; governo federal recebeu 189 denúncias

5 min

02/11/2026 19:07 • Atualizado há 1 hora

As mensagens ofensivas contra estudantes bolsistas de medicina em Maringá, no Noroeste do Paraná, fazem parte de uma série de episódios de discriminação e violência política registrados após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Casos semelhantes também foram relatados no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

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Em Maringá, alunos da UniCesumar foram alvos de comentários preconceituosos em um grupo de WhatsApp. As mensagens questionavam a presença de bolsistas na universidade e faziam referências à condição econômica e à preferência política dos estudantes.

Em uma das conversas, um aluno sugeriu que uma colega deveria concluir a graduação e voltar para o Nordeste para cuidar de pessoas que votaram no mesmo candidato que ela.

O estudante também criticou os beneficiários do Programa Universidade para Todos (Prouni) e afirmou que seus pais tinham condições financeiras de pagar pela faculdade, em comparação com os colegas que ingressaram por meio de bolsas.

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UniCesumar aplica punições após mensagens discriminatórias

Depois da repercussão do caso, a UniCesumar abriu uma sindicância para investigar a conduta dos envolvidos.

Em nota, a instituição informou que aplicou medidas disciplinares conforme a gravidade de cada situação. As punições incluíram advertências, suspensões e desligamentos de estudantes.

A universidade não divulgou quantos alunos receberam cada penalidade.

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Estudantes fazem ataques racistas contra Marielle Franco no Rio

No Rio de Janeiro, estudantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC) também foram envolvidos em um episódio de discriminação.

Durante uma manifestação de racismo, alunos se referiram à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, utilizando a expressão racista macaca.

A filha de Marielle se manifestou nas redes sociais e repudiou os ataques à memória da mãe.

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"Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime. E é profundamente doloroso para nós familiares ver que mesmo depois de tudo o que aconteceu ainda existam pessoas que se sintam autorizadas a desumanizar, a atacar e a tentar diminuir a história da minha mãe".

Adolescente bolsista recebe ofensas após comemorar vitória de Lula

Outro episódio foi registrado em Belo Horizonte, em Minas Gerais. Uma adolescente de 13 anos, bolsista de um colégio particular, recebeu áudios ofensivos de um colega depois de comemorar o resultado das eleições presidenciais.

Nas mensagens, o estudante utilizou a condição econômica da adolescente para humilhá-la, comparou o valor de sua residência à situação financeira da família da colega e fez ofensas contra o pai dela.

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"Sua pobre desgraçada eu moro no Alphaville, minha casa vale dez milhões, vale mais que a sua alma inteira ô sua filha da puta. Nem se você vender o corpo do seu pai aquele morto desgraçado que tá com o pulmão todo preto aquele escravejado filho da puta porque nem morar com você ele mora né sua arrombada desgraçada".

O episódio evidencia como divergências políticas passaram a ser acompanhadas por ataques pessoais e discriminação social em ambientes escolares.

Ministério dos Direitos Humanos recebeu 189 denúncias de violência política

Durante o período eleitoral de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania recebeu 189 denúncias de violência política.

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Somente nos dois dias de votação foram registradas 27 denúncias, número que representa 30% do total recebido durante o mês de outubro.

Todos os casos foram encaminhados aos órgãos competentes, incluindo Ministério da Justiça e Segurança Pública, Polícia Federal, Defensoria Pública da União, Ministério Público, Ministério Público do Trabalho e Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

O Ministério dos Direitos Humanos destacou que a liberdade de expressão política é um direito constitucional e fundamental para o exercício da cidadania e da democracia.

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Para a pós-doutoranda em Antropologia Social Twig Lopes, os episódios refletem um histórico de autoritarismo e desrespeito à diversidade de pensamento político.

"Existe um lastro histórico desse autoritarismo. Essa escalada da ofensiva contra o pluralismo político, contra o desrespeito ao sigilo do voto, à livre manifestação do pensamento. Esses são valores democráticos que com muito custo na nossa atual constituição de 1988 a gente conseguiu colocar no texto enquanto fundamentos da nossa república, enquanto valores democráticos que não podem ser violados de nenhuma forma né".

Assédio eleitoral também atinge trabalhadores

Além dos casos envolvendo estudantes, o assédio eleitoral em ambientes de trabalho também preocupa as autoridades.

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São Paulo, Minas Gerais e Paraná aparecem entre os estados com maior número de registros.

O deputado federal eleito Guilherme Kilter publicou um vídeo manifestando apoio a empresários que demitissem funcionários por terem votado em Lula. A deputada estadual eleita Jessicão, do PL, também se posicionou favoravelmente à prática.

Diante dos episódios, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo estuda criar uma lista de empresas que adotem medidas discriminatórias motivadas pela preferência política dos funcionários.

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Entre as possíveis consequências estaria a restrição de acesso a créditos públicos.

Ofensas e perseguições políticas podem gerar responsabilização

O advogado Paulo Falcão alerta que ataques e campanhas de discriminação motivados por divergências políticas podem resultar em responsabilização dos envolvidos.

"O negócio tá tão avançado e absurdo que influenciadores e alguns políticos têm fomentado e motivado essas ações de boicote e de exclusão de pessoas que tenham um pensamento ideológico e votaram em um candidato que não seja a delas. Mas o que eu posso afirmar é que o ministério público, a polícia civil têm combatido essa prática desses cyber bulling ligados ao cyber crime e eles conseguem sim achar o ofensor o criminoso".

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Os episódios reforçam a preocupação com manifestações de intolerância política que ultrapassam o debate eleitoral e atingem estudantes, trabalhadores e familiares de vítimas de violência.

A liberdade de escolha política e o respeito às diferenças estão entre os direitos assegurados pela Constituição Federal.

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