De dentro de presídios, facção comandava crimes e tráfico no Paraná
Delegada revela como presos e familiares atuavam na distribuição de drogas e na movimentação de dinheiro.

Um dos alvos da megaoperação da Polícia Civil em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná.
Foto: PCPR
Uma organização criminosa que comandava o tráfico de drogas e ordenava crimes violentos de dentro de presídios do Paraná foi alvo de uma megaoperação que terminou com 106 pessoas presas nesta quarta-feira (14). As investigações revelaram que detentos utilizavam celulares clandestinos para manter contato com integrantes da facção em liberdade, enquanto familiares ajudavam na distribuição de drogas e na movimentação do dinheiro.
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Em entrevista à Band Paraná, a delegada da Polícia Civil do Paraná (PCPR), Alini Simadon, explicou que a investigação começou em 2025, no município de Clevelândia, no Sudoeste do Estado, após uma série de crimes violentos atribuídos à organização criminosa.
Investigação começou com crimes de tortura e cárcere privado
Segundo a delegada, a apuração inicial, realizada em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR), estava relacionada a crimes como homicídio, tortura e cárcere privado.
"A investigação iniciou no ano de 2025, no município de Clevelândia, ao lado do Ministério Público, e cumpriu alguns mandados oriundos de investigação sobre homicídio, tortura, cárcere privado, alguns crimes violentos que estavam sendo cometidos por organização criminosa naquela cidade", explicou Alini Simadon à Band Paraná.
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Durante o cumprimento dos primeiros mandados, os policiais obtiveram informações de celulares apreendidos no sistema penitenciário. O material revelou que a atuação do grupo ultrapassava os limites de Clevelândia.
Presos e familiares participavam do esquema criminoso
A análise dos aparelhos permitiu identificar integrantes da organização criminosa que atuavam dentro e fora dos presídios, incluindo grupos responsáveis pela comercialização de entorpecentes.
Em entrevista, Alini Simadon destacou a participação de familiares no funcionamento da organização.
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"Se tratando de pessoas que estavam dentro do sistema penitenciário estadual e também familiares conhecidos que estavam então auxiliando tanto na distribuição de drogas como também fornecendo suas contas para que fossem depositados valores e facilitando então o comércio", afirmou a delegada.
Segundo a investigação, a facção também mantinha uma estrutura de comando dentro dos presídios, com funções definidas e integrantes responsáveis por aplicar punições a detentos considerados infratores.
O dinheiro do tráfico era movimentado por meio de transferências via PIX, contas de terceiros e uma empresa de fachada do ramo de transportes.
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Megaoperação terminou com 106 presos em três estados
A partir da identificação dos integrantes e das atividades da organização criminosa, a Polícia Civil ampliou as investigações até realizar a operação desta quarta-feira (14).
Mais de 500 policiais participaram das diligências no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.
Ao todo, foram cumpridos 92 mandados de prisão e 120 mandados de busca e apreensão. Outras 14 pessoas foram presas em flagrante, totalizando 106 detidos.
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Entre os presos está uma advogada de Realeza, no Sudoeste do Paraná, investigada por manter vínculos com a organização criminosa.
Durante a operação, os policiais também apreenderam drogas, armas, munições, celulares e documentos. Em Curitiba, foi encontrada uma estufa com 38 pés de maconha.
A Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário das contas utilizadas pelo grupo e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.
