Tornado em Maringá? Ventos chegam a 97 km/h; Simepar aponta supercélula
Após destruição na cidade, Simepar analisa tempestade severa e explica diferenças entre supercélula, tornado e microexplosão.
A tempestade que provocou destruição em Maringá, no Noroeste do Paraná, na madrugada desta segunda-feira (2), teve rajadas de vento de até 96,8 km/h. Uma análise preliminar do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) aponta indícios de que a cidade tenha sido atingida por uma supercélula, um tipo de tempestade severa capaz de provocar ventos extremamente fortes e destrutivos.
Continua depois da publicidade
O temporal derrubou árvores e postes, arrancou telhados, danificou veículos e provocou bloqueios em ruas e avenidas. Diante dos estragos, o prefeito Silvio Barros anunciou um decreto de calamidade pública.
Segundo os meteorologistas, a tempestade estava associada a uma linha de instabilidade severa, que ganhou intensidade ao alcançar Maringá.
A avaliação dos danos, combinada com imagens de radar e satélite, indica a possível ocorrência de uma supercélula. A análise ainda é preliminar.
Continua depois da publicidade
Ventos chegaram a 96,8 km/h em Maringá
Os registros meteorológicos mostram a força da tempestade durante a madrugada.
No Aeroporto de Maringá, rajadas de vento de 96,3 km/h foram registradas às 3h11, 3h14 e 3h17.
Às 3h30, a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou uma rajada de 96,8 km/h.
Continua depois da publicidade
No mesmo horário, a estação do Simepar registrou ventos de 81 km/h.
As diferenças entre os valores estão relacionadas aos registros de estações instaladas em pontos distintos da cidade. Como as rajadas podem variar conforme a localização e as características da tempestade, os equipamentos não necessariamente registram a mesma intensidade.
O Simepar destaca que, independentemente da classificação final do fenômeno, os ventos próximos de 100 km/h têm força suficiente para provocar danos severos.
Continua depois da publicidade
O que é uma supercélula e por que ela é tão perigosa?
As supercélulas são tempestades intensas e organizadas que se desenvolvem em condições de grande instabilidade atmosférica.
Uma das principais características é a presença de uma corrente de ar ascendente em rotação, chamada de mesociclone, que gira no interior da nuvem.
Segundo o meteorologista Diulio Patrick, do Simepar, esse fenômeno está associado ao cisalhamento vertical do vento, quando a velocidade ou a direção dos ventos varia conforme a altitude.
Continua depois da publicidade
Essa condição permite que as correntes de ar que sobem e descem dentro da tempestade permaneçam separadas, aumentando a organização e a duração do sistema.
Enquanto uma tempestade comum pode perder força rapidamente, uma supercélula pode durar até seis horas e percorrer dezenas ou centenas de quilômetros.
Essas tempestades podem produzir granizo de grandes dimensões, chuva intensa, descargas elétricas e rajadas de vento destrutivas.
Continua depois da publicidade
Tempestade em Maringá pode ter provocado microexplosão?
O Simepar explica que as supercélulas podem produzir diferentes fenômenos capazes de causar destruição, incluindo tornados e microexplosões.
As microexplosões, também conhecidas como microbursts, acontecem quando uma corrente de ar frio desce da nuvem em alta velocidade e atinge o solo.
Ao alcançar a superfície, o vento se espalha em diferentes direções e pode derrubar árvores, postes e estruturas.
Continua depois da publicidade
O fenômeno costuma durar menos de cinco minutos, mas pode provocar danos intensos.
Já os tornados apresentam uma coluna de ar em rotação que se estende da nuvem até o solo, concentrando ventos muito fortes em uma faixa relativamente estreita.
A diferença entre os dois fenômenos está principalmente na circulação dos ventos e no padrão de destruição deixado na superfície.
Continua depois da publicidade
No caso de Maringá, ainda não foi confirmado se houve microexplosão ou tornado.
Supercélula não significa que houve tornado
Apesar de uma supercélula apresentar rotação em seu interior, isso não significa necessariamente que tenha produzido um tornado.
O Simepar esclarece que nem toda supercélula gera esse tipo de fenômeno.
Continua depois da publicidade
Para identificar a ocorrência de um tornado, os meteorologistas precisam analisar imagens aéreas da área atingida, registros dos radares meteorológicos e o padrão dos danos.
A investigação também busca identificar se os ventos atingiram a superfície de maneira linear, em linha reta, ou com movimento de rotação.
Essas informações são fundamentais para determinar a natureza do fenômeno que atingiu Maringá.
Continua depois da publicidade
Simepar alerta para novas tempestades no Paraná
A preocupação com o tempo continua ao longo da semana.
Segundo o Simepar, o Paraná terá condições favoráveis à formação de novas tempestades intensas entre quarta-feira (4) e quinta-feira (5).
Na quarta-feira, o maior risco estará concentrado na metade sul do estado, com possibilidade de formação de supercélulas.
Continua depois da publicidade
Na quinta-feira, a previsão indica a formação de um ciclone extratropical na costa da região Sul do Brasil, acompanhada pelo avanço de uma frente fria.
Com o deslocamento do sistema, as tempestades poderão avançar em direção à metade norte do Paraná.
A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os alertas meteorológicos e evite permanecer próxima de árvores, postes e estruturas que possam cair durante vendavais.
Continua depois da publicidade
Em situações de emergência, os moradores podem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
