Órgão suspende registro de imóvel disputado por Richarlison e Willer Tomaz
Jogador sustenta ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição e acusa grupo de articular apropriação indevida

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) determinou a suspensão temporária dos Registros Imobiliários Patrimoniais (RIP) de quatro imóveis pertencentes à empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro. O bloqueio no Sistema Integrado de Administração Patrimonial (Siapa) atinge diretamente a propriedade reivindicada pelo jogador de futebol Richarlison.
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Conforme informou a SPU, a medida preventiva tem como finalidade travar eventuais transferências de posse das áreas públicas da União onde estão erguidas as edificações. A decisão atende a uma representação administrativa formulada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB) e dá cumprimento a averbações cartorárias decorrentes de ordens judiciais.
Embate milionário e acusações cruzadas
A área em disputa entre Richarlison e a empresa ligada a Willer é um terreno de marinha localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, estruturado com uma residência de luxo de 11 suítes, praia privativa, heliponto, quadra de ténis e marina privativa.
De um lado, o jogador sustenta ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição da posse em outubro de 2020, por meio da empresa Sport 70, comprovando o pagamento de R$ 4,66 milhões a antigos posseiros mediante homologação na Justiça fluminense.
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O atleta acusa o grupo ligado à WT Administração —empresa associada ao advogado Willer Tomaz e com ligações a Flávio Bolsonaro— de ter articulado a apropriação indevida do local após a recusa de propostas de compra.
Em paralelo, a WT formalizou em 2022 a compra dos direitos da antiga ocupante cadastrada na SPU, a M. Locadora de Veículos. O caso gerou fortes controvérsias devido à rapidez com que a Certidão de Autorização para Transferência (CAT) foi expedida na época em modalidade especial pelo órgão regional, além de a escritura ter sido lavrada por R$ 600 mil —montante bastante inferior à avaliação da administração municipal.
A transferência chegou a ser contestada perante o Supremo Tribunal Federal (STF), com pedidos para que o caso fosse apurado no âmbito de investigações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes.
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Defesa de Willer Tomaz sustenta legalidade
Em nota de esclarecimento divulgada após a suspensão pela SPU, a defesa de Willer Tomaz afirmou que "os documentos oficiais desmentem a versão publicada" e refutou que a cessão à WT Administração tenha ocorrido num intervalo de duas horas.
Segundo a manifestação, o procedimento tramitou regularmente durante 62 dias —tendo sido protocolado em 11 de maio de 2022 e concluído em 12 de julho daquele mesmo ano. A defesa pontuou que o prazo de "duas horas" reportado diz respeito unicamente à emissão da CAT, etapa final de um processo que já estava instruído há quase dois meses.
A nota acrescentou que a certidão em modalidade especial ocorreu em virtude de um impedimento técnico no sistema informatizado, mantendo a comprovação e o pagamento regular do laudêmio.
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Sobre a decisão da SPU, a defesa salientou que a suspensão possui caráter estritamente cautelar e transitório, em resposta à representação da parlamentar, sustentando que inexiste qualquer determinação contrária à higidez da ocupação e que a regularidade jurídica do imóvel será integralmente comprovada perante os órgãos competentes.
